O advogado e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão anunciou sua saída da defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A decisão ocorre em um momento crucial, no qual o ex-executivo da instituição financeira pública flerta com a possibilidade de fechar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Paulo Henrique Costa está preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde o dia 16 de abril, alvo da quarta fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura um suposto esquema de corrupção que envolve a aquisição de ativos do Banco Master pelo banco estatal do Distrito Federal.
Divergências sobre a delação
A saída de Aragão — que havia assumido o caso junto ao advogado Davi Tangerino — expõe discordâncias estratégicas sobre os rumos da defesa e a consistência das tratativas para o benefício judicial. Em nota oficial enviada à imprensa, o advogado indicou que não faria parte de um procedimento de colaboração sem o devido amparo probatório.
“Com quase 30 anos de atuação no Ministério Público Federal e extensa trajetória em funções de cúpula da instituição, Eugênio Aragão somente participa de iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade. Eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas.”
O pano de fundo da Operação Compliance Zero
As investigações apontam que o ex-presidente do BRB teria colocado a estrutura do banco público a serviço dos interesses de liquidez do Banco Master. Em contrapartida, Costa é suspeito de negociar propinas que somam R$ 146,5 milhões com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O montante teria sido ocultado por meio de transações envolvendo seis imóveis de luxo (quatro localizados em São Paulo e dois em Brasília). Conforme os relatórios da Polícia Federal, cerca de R$ 74,6 milhões desses ativos já teriam sido efetivamente transferidos e entregues ao ex-presidente do banco.Desdobramentos políticos e judiciais
O avanço de uma eventual delação premiada de Paulo Henrique Costa tem gerado forte apreensão nos bastidores políticos do Distrito Federal, dado o trânsito e a influência que o executivo possuía na cúpula do governo local.
Recentemente, após sinalizar formalmente o interesse em cooperar com a Justiça, o ex-executivo obteve autorização judicial para ser transferido para uma ala diferenciada do sistema prisional, conhecida como “Papudinha”. Até o momento da publicação desta matéria, a nova equipe que assumirá a defesa jurídica de Costa no processo não havia sido anunciada.





