Estudo da Organon aponta economia de US$ 15,5 milhões ao SUS com ampliação de implante contraceptivo


Mais da metade das gestações registradas no Brasil ocorrem de forma não planejada, um panorama que impacta a autonomia das mulheres e gera custos expressivos à saúde pública. No entanto, um estudo da farmacêutica Organon projeta uma alternativa viável para aliviar o orçamento do governo federal: a ampliação do uso do implante subdérmico de etonogestrel (conhecido comercialmente como Implanon) tem o potencial de gerar uma economia de até US$ 15,5 milhões (cerca de R$ 80 milhões) ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa foi apresentada no Congresso ISPOR 2026, um dos principais eventos globais de Economia da Saúde e Pesquisa de Desfechos, realizado na Pensilvânia (EUA). Os dados apresentados reforçam que o dispositivo de longa duração entrega o melhor perfil de custo-benefício em comparação às outras opções contraceptivas atualmente distribuídas na rede pública.

Avanço na rede pública e o plano de distribuição

A análise financeira ganha força em um momento estratégico. O Ministério da Saúde intensificou a inserção do método de longa ação em sua Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres. A meta do governo federal é distribuir 1,8 milhão de dispositivos até o final do ano, com um investimento previsto de aproximadamente R$ 245 milhões.
Para sustentar a expansão do método, a pasta coordena oficinas de qualificação voltadas para médicos e enfermeiros da Atenção Primária em todas as unidades da federação, visando capacitar cerca de 11 mil profissionais de saúde para realizar os procedimentos de inserção e retirada com segurança.

Custo-benefício e impacto no mundo real

Diferente de métodos de curto prazo (como a pílula diária ou as injeções mensais), que dependem da disciplina rigorosa da paciente e sofrem com taxas elevadas de descontinuação, o implante subdérmico é aplicado sob a pele do braço e libera o hormônio de forma contínua, garantindo proteção por até três anos.

Acesso democratizado: No mercado privado de saúde, o valor para a aquisição e colocação do implante varia entre R$ 2.000 e R$ 4.000, tornando-o inacessível para a maior parte da população. A incorporação e compra em larga escala pelo SUS reduz drasticamente esse custo unitário e estende a proteção para grupos de alta vulnerabilidade social.

Além do benefício econômico direto apontado pela Organon no ISPOR 2026, os especialistas destacam que os métodos contraceptivos reversíveis de longa ação (LARC) atuam diretamente na redução dos índices de mortalidade materna e de complicações decorrentes de gestações indesejadas, consolidando-se como uma das ferramentas mais eficientes de planejamento reprodutivo e gestão orçamentária em saúde pública no país.

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