Flávio Bolsonaro pede a Donald Trump classificação de PCC e CV como grupos terroristas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reuniu-se na tarde desta terça-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. Durante o encontro no Salão Oval, que durou cerca de 1 hora e 40 minutos, o parlamentar brasileiro solicitou formalmente que o governo americano avalie a inclusão das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista oficial de organizações terroristas do país.
Segundo relato de Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva após a reunião, Trump demonstrou abertura e afirmou que irá analisar a possibilidade. O governo dos EUA já estuda há mais de um ano os impactos e a viabilidade técnica de classificar grupos criminosos latino-americanos sob essa ótica jurídica.
Se implementada, a medida altera significativamente as ferramentas de cooperação internacional, permitindo maior rigor no rastreamento de ativos financeiros e no compartilhamento de inteligência entre os dois países.

Articulação internacional e o “Escudo das Américas”

A comitiva do senador contou com a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo, apontados como os principais articuladores da agenda junto à ala conservadora americana.
Durante a conversa, Flávio detalhou diretrizes de seu plano de segurança pública caso venha a assumir a chefia do Executivo brasileiro. O pré-candidato manifestou a intenção de integrar o Brasil ao “Escudo das Américas”, uma iniciativa multilateral focada na defesa hemisférica e no combate transnacional a delitos de grande porte. O senador também reforçou o desejo de estreitar laços técnicos com agências de segurança da Europa e de Israel.

“Se eu fosse o presidente da República, facções já teriam sido declaradas terroristas e o Brasil estaria assinando o acordo de cooperação para prender esses marginais”, declarou Flávio Bolsonaro.

Contexto político e estratégias de campanha

A viagem oficial do senador ocorre em um momento estratégico para a sua pré-campanha presidencial. Analistas apontam que a busca por uma agenda positiva em solo americano serve como um contraponto aos desgastes políticos recentes no cenário nacional, especialmente após repercussões envolvendo diálogos vazados com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Levantamentos de institutos de pesquisa sinalizaram oscilações nas intenções de voto, o que levou a coordenação de campanha a priorizar a pauta de segurança pública e a chancela de lideranças da direita internacional para redefinir o foco do debate eleitoral. Por sua vez, setores da oposição e especialistas em relações internacionais alertam que a eventual classificação de facções locais como terroristas por um governo estrangeiro exige cautela jurídica, de modo a preservar a soberania nacional sobre as estratégias domésticas de segurança.

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