Prisão em território boliviano
O traficante Gerson Palermo, conhecido como “Pigmeu” e apontado como um dos principais líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de fronteira, foi preso na madrugada desta terça-feira (26) em uma operação conjunta entre a Polícia Federal do Brasil e as forças de segurança da Bolívia.
Palermo estava escondido no município de Cotoca, na região de Santa Cruz de la Sierra, onde se passava por um empresário do setor agrícola. De acordo com o comando da polícia boliviana, o criminoso foi encaminhado à sede da Interpol e deverá ser deportado para o Brasil nas próximas horas.
Histórico da fuga e investigação judicial
A captura põe fim a uma condição de foragido que se estendia desde abril de 2020. Na ocasião, durante o início da pandemia de Covid-19, Palermo obteve um benefício de prisão domiciliar com monitoramento por tornozeleira eletrônica.
- A soltura: A decisão liminar foi assinada pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran, então integrante do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
- A fuga: Apenas cinco horas após deixar o estabelecimento de segurança máxima em Campo Grande, o traficante rompeu o equipamento de rastreamento e fugiu. No dia seguinte, a decisão foi revogada por outro magistrado, mas Palermo já não foi localizado.
- Desdobramentos: O episódio gerou uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção passiva e venda de sentença, culminando posteriormente no afastamento de Divoncir pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado nega qualquer irregularidade.
Condenações somam quase 126 anos
Gerson Palermo possui uma extensa ficha criminal e é considerado um criminoso de alta periculosidade pelas autoridades brasileiras, acumulando penas que somam 125 anos e 9 meses de reclusão. Suas principais condenações envolvem:
| Crime / Operação | Detalhes do Caso | Pena |
|---|---|---|
| Sequestro de Aeronave (2000) | Participou do sequestro de um Boeing 727 da antiga transportadora Vasp para roubar R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil. | 66 anos e 9 meses |
| Operação All In (2017) | Apontado como o chefe de um esquema internacional que transportava cocaína da Bolívia para o Brasil por via aérea. | 59 anos |
| Com a prisão efetuada, a expectativa do Ministério da Justiça e das forças policiais é que Palermo retorne ao sistema penitenciário federal para cumprir o restante de suas penas em regime fechado. |





