Uma auditoria interna realizada na Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) revelou um novo e alarmante capítulo nas investigações que envolvem o Banco Master. Segundo o relatório final da sindicância, determinado pelo atual presidente da estatal, o procurador Rafael Rolim, e por sua diretoria, servidores públicos foram diretamente impedidos de resgatar uma aplicação de R$ 44 milhões. O bloqueio dos recursos evitou que o governo fluminense diminuísse um prejuízo financeiro milionário de dinheiro público investido na instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
O caso da Cedae se soma a um escândalo ainda maior que abala a política e as finanças do Rio de Janeiro. A apuração técnica detalhou que recomendações explícitas de áreas técnicas da estatal orientavam a retirada integral de fundos do banco, diante de alertas de deterioração nos indicadores da instituição financeira. No entanto, essas ordens foram sumariamente descartadas pela gestão anterior da Cedae — especificamente pelo ex-diretor Antônio Carlos dos Santos —, sob forte influência política exercida por Vorcaro. Ao todo, estima-se que a Cedae tenha perdido cerca de R$ 222 milhões em decorrência de decisões que ignoraram os riscos técnicos.
As descobertas ganham força em meio aos desdobramentos de recentes operações da Polícia Federal (PF). Os investigadores apontam que o Banco Master utilizava uma rede de influência e lobistas para garantir aportes bilionários de autarquias do estado do Rio de Janeiro. Além da Cedae, o Rioprevidência — fundo responsável pelas aposentadorias e pensões de mais de 200 mil servidores estaduais — realizou aportes que superam a marca de R$ 3,6 bilhões em letras financeiras e fundos ligados ao banco de Vorcaro.
As investigações da PF colocaram o ex-governador Cláudio Castro no centro do esquema. Mensagens interceptadas revelaram uma proximidade estreita e encontros frequentes entre Castro e Vorcaro, incluindo jantares de luxo em Nova York e degustações de uísque com custos milionários pagos integralmente pelo banqueiro. A apuração aponta uma sistemática coincidência temporal: logo após esses eventos, o estado realizava transferências e investimentos em massa no Banco Master. Diante da repercussão e da pressão decorrente das operações de busca e apreensão autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Cláudio Castro recuou recentemente de seus planos políticos para as próximas eleições.
Em nota, as defesas de Cláudio Castro e do Banco Master negam veementemente qualquer irregularidade e sustentam que todas as operações financeiras citadas seguiram rígidos critérios técnicos e as legislações vigentes de mercado. O espaço permanece aberto para manifestações dos demais citados na auditoria conduzida pela Cedae.





