Localizado no extremo norte de Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana, o município de Uiramutã voltou a ocupar a última posição nacional no Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026). Com uma pontuação de apenas 42,44 de um total de 100 pontos, a cidade repete o amargo desempenho que já havia registrado nos anos de 2024 e 2025, consolidando-se como o local com as menores entregas de serviços públicos e bem-estar para os seus habitantes entre os 5.570 municípios do país.
O levantamento do IPS avalia a realidade socioambiental dos municípios a partir de 57 indicadores divididos em três grandes dimensões. O colapso nos índices de Uiramutã decorre fundamentalmente dos resultados críticos nas categorias de Necessidades Humanas Básicas (41,56 pontos) e Fundamentos do Bem-Estar (49,32 pontos), deixando a cidade na lanterna nacional em ambas as áreas.
Com uma população estimada em 13.751 moradores pelo Censo de 2022 do IBGE, Uiramutã carrega a marca de ser o município com a maior proporção de população autodeclarada indígena do Brasil (96,6%), além de figurar como a cidade com a população mais jovem do país. A maior parte dessas pessoas vive em comunidades tradicionais distribuídas por áreas remotas e de difícil acesso geográfico dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Esse isolamento territorial cobra um preço alto no cotidiano. A ausência de estradas pavimentadas e pontes seguras gera frequentes bloqueios logísticos, situação severamente agravada em períodos de fortes enchentes na região. Moradores locais relatam enfrentar rotinas marcadas pela falta de conectividade, precariedade no fornecimento de energia e dificuldades crônicas no acesso a serviços de saúde especializados e educação de qualidade. A base educacional da região lida com gargalos históricos, apresentando uma das menores notas medianas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e baixos índices de escolaridade superior.
A vulnerabilidade econômica também define a subsistência local. O município registra o menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país, estipulado em R$ 11.985,64 pelo IBGE, e mais da metade de sua população (52,4%) sobrevive com uma renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. O funcionalismo público e os benefícios de transferência de renda estruturam quase a totalidade da frágil economia local.
Em posicionamento oficial recente, a Prefeitura de Uiramutã destacou que o município enfrenta desigualdades estruturais históricas e que o fato de a população estar espalhada por comunidades de difícil acesso amplia drasticamente os desafios de governança. A gestão municipal reforçou a necessidade de uma maior cooperação institucional e investimentos federais e estaduais direcionados para infraestrutura básica de transporte, saúde e conectividade a fim de mitigar o isolamento que há décadas penaliza o extremo norte de Roraima.





