Paulo Martins estremece bastidores e leva tensão ao acordo entre Ratinho Júnior e Sergio Moro no Paraná


Os bastidores políticos do Palácio Iguaçu ganharam contornos de forte tensão nas últimas semanas. O avanço das articulações para as eleições de 2026, que buscam selar uma complexa aliança entre o governador Ratinho Júnior (PSD) e o senador Sergio Moro (que recentemente migrou para o PL), encontrou um obstáculo barulhento na figura do ex-deputado e atual vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins. A movimentação do político colocou em xeque a estabilidade do arranjo governista no estado, injetando o que analistas e publicações locais de oposição, como o Blog do Esmael, apelidaram ironicamente de um verdadeiro “cheiro de enxofre” nas negociações palacianas.
O incômodo central reside na estratégia de sobrevivência e projeção das diferentes alas da direita paranaense. Sergio Moro, de olho na disputa ao Governo do Estado em 2026, estruturou sua filiação ao PL visando unificar o eleitorado conservador e assegurar o apoio da máquina estadual comandada por Ratinho Júnior. No entanto, Paulo Martins — que tem sua trajetória fortemente ligada à ala mais ideológica do bolsonarismo e recentemente flertou com o Partido Novo — passou a se movimentar como uma força dissidente.
A presença e as aspirações majoritárias de Martins atuam diretamente como um elemento perturbador no plano do Palácio Iguaçu. A estratégia inicial do governo Ratinho Júnior desenhava Paulo Martins quase como um “antídoto” para conter o crescimento isolado de Moro e manter os votos bolsonaristas sob a órbita de influência do PSD. Contudo, ao invés de atuar como peça controlável no tabuleiro, Martins consolidou uma postura independente, ameaçando fragmentar a base governista e melindrar o acordo selado a duras penas entre Ratinho e o ex-juiz da Lava Jato.
Para o senador Sergio Moro, a insistência de Martins em manter-se relevante na disputa majoritária representa um fantasma incômodo. A direita paranaense racha entre aqueles que priorizam a fidelidade ideológica levada por Martins e os que preferem o peso institucional e o recall eleitoral de Moro.
Enquanto Ratinho Júnior tenta equilibrar os pratos e evitar que o Palácio Iguaçu vire um cenário de guerra aberta entre aliados, o clima de desconfiança mútuo impera. A interferência de Paulo Martins mostra que, no xadrez político do Paraná para 2026, nenhum acordo está totalmente pacificado e as costuras de bastidores continuarão exalando fumaça e forte instabilidade nos próximos meses.

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