Uma nova rodada de pesquisas eleitorais trouxe um cenário desafiador para a direita nacional e paranaense. Segundo dados divulgados pelo instituto Real Time Big Data, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem em um eventual cenário de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O petista agora aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% do parlamentar fluminense — uma inversão em relação a maio, quando o filho “zero um” de Jair Bolsonaro liderava numericamente.
O recuo de Flávio Bolsonaro ocorre em meio ao desgaste provocado pelo chamado “caso Dark Horse”. O episódio envolve o vazamento de áudios em que o senador busca patrocínio privado com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção de um filme sobre a trajetória de seu pai. Embora o parlamentar negue qualquer irregularidade e sustente que os contatos ocorreram dentro da legalidade e antes de suspeitas públicas contra o empresário, o impacto político já é mensurado pelos institutos de pesquisa.
A oscilação negativa repercute diretamente no tabuleiro político do Paraná. Dias antes da divulgação dos números, Curitiba serviu de palco para uma grande demonstração de unidade da direita. O senador Sergio Moro (PL-PR) oficializou sua pré-candidatura ao governo do estado ladeado por Flávio Bolsonaro, pelo ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) e pelos deputados federais Filipe Barros (PL) e Paulo Martins (Novo).
A estratégia desenhada visava selar a fusão entre o lavajatismo e o bolsonarismo sob a chancela da capital paranaense, projetando um palanque forte para as eleições. Contudo, a divulgação do levantamento muda o peso da fotografia. O que foi planejado para ser uma exibição de força regional acabou herdando o ônus do desgaste da candidatura nacional.
Outro fator que acende o alerta para o grupo é o desempenho de outros nomes da oposição testados pelo Real Time Big Data. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece em situação de empate técnico rigoroso com Lula, registrando 43% a 43%. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pontua com 40% contra 43% do atual presidente. Esses números sugerem que alternativas de centro-direita sem o sobrenome Bolsonaro conseguem, no momento, oferecer menor resistência e menor taxa de rejeição no confronto direto com o petismo.
Além disso, a pesquisa avaliou a repercussão da recente agenda internacional de Flávio Bolsonaro com o ex-presidente americano Donald Trump. Para 42% dos entrevistados, o encontro foi considerado neutro, enquanto as avaliações positivas e negativas empataram em 29%. O resultado frustra a tentativa da campanha de converter a agenda externa em um trunfo político incontestável, especialmente após deputados da base governista acionarem a Procuradoria-Geral da República (PGR) para questionar os termos das tratativas internacionais.
Com as convenções partidárias se aproximando, os principais articuladores do palanque paranaense enfrentam dilemas estratégicos. Sergio Moro precisará calibrar o discurso para evitar que crises externas contaminem sua caminhada rumo ao Palácio Iguaçu. Deltan Dallagnol e Filipe Barros também terão o desafio de defender a coesão do bloco diante de um cenário em que o favoritismo nacional da direita começa a ser formalmente questionado pelos números.





