Mudanças climáticas ameaçam a saúde de cães e gatos e exigem novos cuidados dos tutores

A crise climática global não poupa mais ninguém, e os novos alvos vulneráveis dividem o sofá com os seres humanos. Veterinários e cientistas alertam que o aumento das temperaturas globais e a frequência de eventos climáticos extremos se tornaram um desafio crítico para a saúde de cães e gatos, exigindo adaptações urgentes na rotina de cuidados dos tutores.

Os perigos do calor extremo e da umidade

Diferente dos humanos, os animais de estimação possuem mecanismos limitados de termorregulação. Os cães, por exemplo, não suam como nós; eles trocam calor principalmente por meio da respiração (o ato de arfar) e das almofadas das patas (coxins).
Quando a temperatura ambiente ultrapassa os 35°C, esse sistema pode falhar, levando à intermação (choque térmico por calor), uma condição grave que pode causar falência de órgãos e ser fatal em questão de minutos. Animais braquicefálicos (focinho curto, como Pugs, Bulldogs e Persas), idosos ou obesos correm um risco ainda maior.

Além do termômetro: proliferação de doenças

As mudanças no clima não trazem apenas calor, mas também alteram os ciclos de vida de vetores de doenças. O aumento da umidade e dos períodos quentes prolonga a época de reprodução de pulgas, carrapatos e mosquitos. Como consequência, observa-se uma alta nos casos de:

  • Doença do carrapato (Erliquiose e Babesiose): Que podem causar anemia profunda e hemorragias.
  • Leishmaniose: Transmitida pelo mosquito-palha, cuja distribuição geográfica tem se expandido devido às alterações de temperatura.
  • Problemas de pele: Dermatites fúngicas e bacterianas prosperam em ambientes quentes e úmidos.

Como proteger seu pet no dia a dia

Para mitigar os impactos ambientais na saúde dos animais, especialistas recomendam uma mudança de hábitos na rotina doméstica:

  • Horário dos passeios: Caminhadas devem ser restritas ao início da manhã ou final da noite. É fundamental testar o asfalto com a palma da mão por 5 segundos; se estiver muito quente para você, vai queimar as patas do animal.
  • Hidratação constante: Espalhe múltiplos potes de água pela casa e adicione pedras de gelo para manter o líquido fresco.
  • Atenção ao calendário de vacinas e vermífugos: A proteção contra ectoparasitas (pulgas e carrapatos) deve ser rigorosa e feita durante o ano todo, não apenas no verão.
  • Sinais de alerta: Salivação excessiva, respiração muito rápida ou ruidosa, fraqueza e gengivas escuras ou muito vermelhas são sinais de emergência climática no organismo do pet. Diante disso, o animal deve ser resfriado com água fresca (nunca gelada de forma brusca) e levado imediatamente ao veterinário.

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