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Empresários e entidades do setor produtivo articulam ofensiva para adiar votação sobre fim da jornada 6×1

Empresários e entidades do setor produtivo articulam ofensiva para adiar votação sobre fim da jornada 6×1

Brasília – O setor empresarial brasileiro deu início a uma mobilização coordenada para frear o avanço da proposta que extingue a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso). A estratégia principal, articulada por grandes confederações e frentes parlamentares, foca em adiar qualquer votação decisiva para depois de outubro de 2026, visando distanciar o debate do período de maior sensibilidade eleitoral no Congresso Nacional.

​Mobilização e estratégia de adiamento

​Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) intensificaram a pressão sobre o Legislativo. O argumento central é que uma votação “a toque de caixa” poderia ser contaminada por interesses eleitoreiros, sem a devida análise técnica dos impactos econômicos.

​Para sustentar essa posição, o setor prepara um “contra-ataque” que inclui:

  • Estudos de Impacto: A CNI estima que o fim da escala 6×1 possa gerar um custo adicional de quase R$ 180 bilhões para o setor produtivo.
  • Campanhas de Opinião: Estão sendo planejadas campanhas publicitárias e pesquisas de opinião para alertar a sociedade sobre possíveis efeitos colaterais, como a inflação de serviços e o risco de fechamento de pequenas empresas, especialmente nos setores de bares, restaurantes e comércio de rua.
  • Manifesto Setorial: Um documento assinado por cerca de 90 entidades deve ser entregue ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em março, pedindo cautela e diálogo.

​O cenário no Congresso

​Enquanto os empresários tentam “esfriar” o tema, o governo e parlamentares da base aliada buscam acelerar a tramitação. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) já conta com as assinaturas necessárias, e o senador Rogério Carvalho (PT-SE), relator de proposta semelhante no Senado, defende uma redução gradual.

​Entre as alternativas discutidas por parlamentares do “Centrão” e frentes ligadas ao empreendedorismo para mitigar a resistência das empresas, destacam-se:

  1. Desoneração da folha: Redução de impostos sobre salários como contrapartida ao aumento do custo de contratação.
  2. Pagamento por hora: Mudança no modelo de remuneração para permitir maior flexibilidade na jornada, aos moldes do sistema americano.
  3. Transição longa: Algumas propostas sugerem que a mudança plena ocorra em até dez anos, com reduções de uma hora na jornada semanal a cada ano.

​Pressão popular vs. Custo Brasil

​Dados recentes de pesquisas de mercado (como a Nexus) indicam que mais de 70% da população apoia o fim da escala 6×1. No entanto, o setor empresarial alerta que o aumento nos custos operacionais pode ser repassado ao consumidor final. No setor de bares e restaurantes, por exemplo, estima-se um aumento de até 7% nos preços para compensar a necessidade de novas contratações.

​O presidente da CNT, Vander Costa, sintetizou a postura do setor: “A ideia não é atrasar por atrasar, mas discutir no tempo certo, sem afogadilho eleitoral”. O debate agora se concentra em encontrar um ponto de equilíbrio entre a qualidade de vida do trabalhador e a viabilidade financeira das empresas em um cenário de baixa produtividade nacional.

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