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Trump e a Suprema Corte elevam tensão comercial com tarifa global de 15%

Trump e a Suprema Corte elevam tensão comercial com tarifa global de 15%

A decisão do tribunal de derrubar os “tarifaços” por decreto forçou o presidente a buscar novas bases legais, elevando a alíquota para compensar a derrota jurídica e gerando uma onda de incerteza nos mercados internacionais.

​O cenário econômico global entrou em uma nova fase de turbulência nesta segunda-feira (23 de fevereiro de 2026), após o presidente Donald Trump reagir de forma agressiva à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou suas tarifas comerciais anteriores. Em um movimento que mistura diplomacia de pressão e manobras jurídicas, a Casa Branca elevou a proposta de tarifa global de 10% para 15%, utilizando agora a Lei de Comércio de 1974.

​A Reviravolta Jurídica e a Reação de Trump

​Na última sexta-feira (20), a Suprema Corte impôs uma derrota histórica ao governo Trump, decidindo por 6 a 3 que o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para criar tarifas era inconstitucional, uma vez que o poder de tributar pertence ao Congresso.

​Sem recuar, Trump utilizou as redes sociais e coletivas de imprensa no fim de semana para atacar os juízes e anunciar que “outras alternativas seriam usadas”. O governo acionou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao Executivo impor sobretaxas de até 15% por um período de 150 dias para lidar com desequilíbrios graves no balanço de pagamentos.

​O Custo para o Mercado: Entre o Alívio e o Caos

​A dinâmica das novas tarifas criou uma curiosa redistribuição de custos no mercado:

  • Alívio para “Excluídos”: Países que antes eram alvo de tarifas específicas muito altas (como Brasil, China e México, que chegavam a enfrentar taxas de 50%) agora veem a alíquota global de 15% como um alívio temporário. No Brasil, estimativas indicam que a mudança pode destravar até US$ 21,6 bilhões em exportações que estavam represadas pela incerteza anterior.
  • Pressão sobre Aliados: Por outro lado, parceiros tradicionais como a União Europeia, Japão e Reino Unido, que antes gozavam de certas isenções ou taxas menores, agora enfrentam o peso da tarifa linear de 15%, o que gerou fortes críticas de governos europeus e asiáticos.
  • Incerteza Fiscal e Reembolsos: A decisão da Suprema Corte abriu um precedente para que empresas solicitem o reembolso de até US$ 175 bilhões em tarifas pagas ilegalmente no último ano. Analistas do Morgan Stanley apontam que esse possível estorno poderia injetar liquidez no mercado americano, mas o governo já sinalizou que lutará na justiça para não devolver os valores.

​Impacto nos Ativos Financeiros

​O mercado reagiu com volatilidade controlada, mas clara busca por proteção:

  1. Dólar e Ouro: O dólar recuou frente a moedas como o real (operando na casa de R$ 5,17) e o yuan, refletindo a insegurança sobre a sustentabilidade da política comercial americana. Em contrapartida, o ouro atingiu novas máximas, reafirmando-se como porto seguro.
  2. Bolsas: Enquanto o S&P 500 operou em queda diante do risco inflacionário (tarifas mais altas significam produtos mais caros para o consumidor americano), as ações de exportadoras brasileiras de aço, celulose e alimentos registraram altas, beneficiadas pela redução da sobretaxa específica que sofriam.
  3. Inflação: Economistas alertam que a insistência na tarifa de 15% mantém o risco de uma “importação de inflação” para os EUA, o que pode forçar o Federal Reserve a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo do que o previsto.

​O Que Esperar?

​As novas tarifas de 15% passam a vigorar plenamente a partir desta terça-feira (24). Contudo, a validade de 150 dias estabelece um cronômetro para o governo Trump: ou ele consegue negociar novos acordos bilaterais (como o recente memorando assinado com Taiwan) ou precisará de uma aprovação do Congresso para manter o protecionismo.

​A curto prazo, o mercado vive um “vai e vem” jurídico onde a única certeza é a volatilidade. Como definiu um integrante do partido governista do Japão em relatório recente, o cenário atual do comércio global tornou-se uma “verdadeira bagunça”.

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