ALFA Realty e Minha Casa Minha Vida: incorporadora de luxo lança projeto popular no Bom Retiro
O mercado imobiliário paulistano testemunha um movimento estratégico de diversificação com a estreia da Alfa Realty, tradicionalmente voltada ao alto padrão, no segmento de habitação popular. Após consolidar um portfólio de 60 empreendimentos de luxo — com unidades que chegam a custar R$ 10 milhões em bairros como Higienópolis e Alto de Pinheiros —, a incorporadora lança o Praça Nova São Paulo, seu primeiro projeto enquadrado no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
O empreendimento terá como endereço um terreno de 2,3 mil metros quadrados no Bom Retiro, local onde funcionava o antigo galpão industrial da família de Eudoxios Anastassiadis, fundador da companhia. O projeto carrega um forte apelo emocional e histórico, já que Anastassiadis cresceu na região e viu sua mãe trabalhar na tecelagem que ocupava o espaço por décadas.
Detalhes do projeto e mercado
Com o início das obras previsto para o terceiro trimestre de 2026, o Praça Nova São Paulo contará com 376 unidades, com metragens que variam de 21 m² a 52 m².
- Preços: Unidades de 40 m² estão sendo comercializadas por aproximadamente R$ 350 mil, valor que atinge o teto da Faixa 3 do MCMV.
- Público-alvo: Famílias com renda a partir de R$ 4,5 mil.
- Diferencial: A incorporadora busca manter o DNA de arquitetura e design do alto padrão, mesmo com as restrições de custos do segmento econômico. Unidades maiores (51 m²), enquadradas como Habitação de Mercado Popular (HMP), já tiveram suas vendas esgotadas antes mesmo do início das obras.
Cenário de expansão do MCMV
A movimentação da Alfa Realty reflete uma tendência clara no setor. Em 2025, o mercado imobiliário de São Paulo registrou um crescimento de 34% nos lançamentos, impulsionado majoritariamente pelo MCMV. A introdução da Faixa 4 (para rendas até R$ 12 mil e imóveis de até R$ 500 mil) e a manutenção de taxas de juros atrativas via FGTS têm atraído incorporadoras que antes focavam exclusivamente na classe média alta.
Enquanto o crédito imobiliário convencional sofre com a taxa Selic elevada, o segmento popular segue aquecido. Para a Alfa Realty, o desafio agora é provar que é possível entregar “luxo acessível” em um modelo de negócio onde a margem é apertada e a eficiência na engenharia é o fator decisivo para o sucesso.
































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