Cúpula do Congresso sinaliza votar pena menor a Bolsonaro se pressão por CPI do Master esfriar
O cenário político em Brasília retoma suas atividades pós-Carnaval com uma complexa mesa de negociações que envolve o futuro judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro e a blindagem de autoridades no Judiciário. Lideranças do Congresso Nacional indicam que a derrubada do veto do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria — que beneficiaria Bolsonaro com uma redução drástica de pena — tornou-se a principal moeda de troca para desidratar a criação da CPI do Banco Master.
O xadrez político: Dosimetria vs. Investigação
A cúpula do Legislativo, liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, tenta equilibrar interesses divergentes. De um lado, há uma pressão crescente da oposição pela instalação da CPI para investigar supostas irregularidades e fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, caso que recentemente levou o ministro Dias Toffoli a deixar a relatoria de processos relacionados no STF, sendo substituído por André Mendonça.
Do outro lado, o “Centrão” e a ala bolsonarista buscam a aprovação do PL 2.162/2023. O projeto, vetado integralmente por Lula em janeiro de 2026, prevê:
- Redução de Pena: Para crimes contra o Estado Democrático de Direito, a progressão de regime poderia ocorrer com apenas 16% da pena cumprida.
- Impacto Direto: No caso de Bolsonaro, estimativas apontam que uma eventual condenação em regime fechado poderia cair de um intervalo de 6 a 8 anos para algo entre 2 e 4 anos.
Cronograma e próximos passos
Para que a estratégia avance, Alcolumbre precisa convocar uma sessão conjunta do Congresso Nacional, prevista para ocorrer em março. Esta sessão é o rito obrigatório para:
- Leitura de Requerimentos: Onde os pedidos de CPI (que já possuem assinaturas suficientes) seriam formalmente apresentados.
- Votação de Vetos: Onde a decisão de Lula sobre a Dosimetria seria submetida ao plenário.
Consequências jurídicas e institucionais
Enquanto o governo Lula tenta manter o veto sob o argumento de que a proposta gera “impunidade casuística”, o Judiciário observa a movimentação com cautela. O ministro André Mendonça, novo relator do caso Master, já autorizou o compartilhamento de dados sigilosos com outras frentes de investigação, o que pode aumentar o custo político para quem tenta barrar a CPI, independentemente da negociação sobre a pena de Bolsonaro.
































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