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CNI e Congresso Nacional: debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força e acende alerta econômico

CNI e Congresso Nacional: debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força e acende alerta econômico

​A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a consequente redução da jornada semanal de 44 para 40 horas atingiu um novo patamar de tensão entre o setor produtivo e o governo nesta semana. Um estudo detalhado da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta segunda-feira (23 de fevereiro de 2026), aponta que a medida poderá custar até R$ 267 bilhões anuais para as empresas brasileiras, representando um acréscimo médio de 7% na folha de pagamentos nacional.

​O peso no bolso das empresas

​De acordo com a CNI, o impacto financeiro varia conforme a estratégia adotada pelas empresas para suprir a redução das horas:

  • Contratação de novos trabalhadores: O custo estimado seria de R$ 178,2 bilhões.
  • Pagamento de horas extras: Caso a opção seja manter a equipe atual trabalhando as mesmas horas via regime extra, o impacto subiria para R$ 267,2 bilhões.

​O presidente da CNI, Ricardo Alban, alertou que os setores mais atingidos serão a indústria da construção (com aumentos de até 13,2%) e a agropecuária (até 13,5%), além de pressionar severamente as micro e pequenas empresas, que detêm 52% dos empregos formais no país. A entidade argumenta que a mudança pode gerar perda de competitividade e queda na produção, afetando diretamente o PIB brasileiro.

​Movimentação no Congresso Nacional

​Enquanto as entidades patronais pedem cautela, o cenário político acelera. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 — liderada pela deputada Erika Hilton (PSOL-RJ) — avançou significativamente no Legislativo.

  • Relatoria na CCJ: O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Leur Lomanto Jr., deve anunciar o relator da PEC nesta terça-feira (24). A proposta é considerada uma das prioridades da comissão para este semestre.
  • Prioridade do Governo: Na abertura do ano legislativo, o presidente Lula reforçou em mensagem ao Congresso que o fim da escala 6×1 é uma prioridade para 2026. O governo busca unificar os textos em tramitação na Câmara e no Senado para acelerar a aprovação, possivelmente ainda no primeiro semestre.
  • Transição gradual: No Senado, a PEC 148/2015, relatada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), também ganha fôlego. O texto propõe uma redução escalonada: a jornada cairia de 44 para 36 horas semanais ao longo de seis anos, tentando mitigar o choque econômico imediato apontado pela indústria.

​O que dizem os envolvidos

​Para a deputada Erika Hilton, a mudança é uma questão de “dignidade humana” e saúde mental do trabalhador, argumentando que a produtividade pode ser compensada pela modernização dos processos tecnológicos.

​Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem buscado um tom de equilíbrio, afirmando que o país está “maduro” para o debate, mas que a discussão deve ocorrer com responsabilidade para não penalizar o setor de serviços e o comércio, que operam intensamente no modelo atual.

​Com as eleições de 2026 no horizonte, a escala 6×1 tornou-se um dos temas centrais do debate público, unindo mobilização digital e pressões econômicas de alto escalão em Brasília.

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