VENEZUELA exige à ONU libertação de Maduro e Cilia Flores enquanto Delcy Rodríguez promove anistia e busca fim de sanções
GENEBRA – O governo da Venezuela elevou o tom diplomático nesta segunda-feira (23), utilizando a tribuna do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para exigir a “libertação imediata” do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O pedido ocorre pouco mais de um mês após a captura do casal por forças especiais dos Estados Unidos em Caracas, em uma incursão militar ocorrida no dia 3 de janeiro que alterou drasticamente o cenário geopolítico da América Latina.
O chanceler venezuelano, Yván Gil, classificou a detenção como um “sequestro” e afirmou que Maduro é, tecnicamente, um “prisioneiro de guerra”. Atualmente, o ex-líder venezuelano está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, onde aguarda julgamento por acusações de narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína e posse de armas pesadas.
Julgamento em Nova York e tensão regional
Em sua primeira audiência perante a justiça americana, em 5 de janeiro, Maduro declarou-se inocente de todas as acusações. A defesa do ex-ditador tenta argumentar que a prisão violou o Direito Internacional e que ele gozaria de imunidade como chefe de Estado. No entanto, o tribunal de Nova York manteve a custódia, e uma nova audiência crucial foi agendada para o dia 26 de março, após um adiamento solicitado pela promotoria para a consolidação de provas.
A captura de Maduro, autorizada pelo governo de Donald Trump, gerou reações mistas na região. Enquanto aliados históricos como Cuba condenaram o que chamam de “ataque criminoso”, outros líderes sul-americanos mantêm uma cautela diplomática diante da nova administração interina em Caracas.
O papel de Delcy Rodríguez e a Lei de Anistia
Enquanto a diplomacia venezuelana briga na ONU, em Caracas a presidente interina, Delcy Rodríguez, implementa uma estratégia de distensão para tentar estabilizar o país e recuperar a economia. Sob forte pressão de Washington, Rodríguez promulgou na última semana uma Lei de Anistia Geral.
Até o momento, a ONG Foro Penal confirmou a libertação de pelo menos 65 presos políticos, embora o número total possa chegar a centenas nos próximos dias. Essa medida é vista como um gesto fundamental para a reabertura do diálogo com o Ocidente.
Acenos da União Europeia
A estratégia de Delcy Rodríguez parece estar surtindo efeito no bloco europeu. O alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros indicou que poderá propor a suspensão das sanções individuais que pesam contra a líder interina.
O movimento é apoiado pela Espanha, cujo chanceler, José Manuel Albares, instou a UE a reconhecer os “avanços na democratização” e a anistia como uma “nova etapa de esperança” para a Venezuela. A suspensão das sanções seria um marco para Rodríguez, que busca consolidar sua autoridade interna e atrair investimentos estrangeiros para o setor petrolífero, devastado por anos de crise.
A situação permanece fluida: enquanto Caracas tenta trazer Maduro de volta sob o argumento de violação de soberania, os tribunais americanos parecem decididos a prosseguir com o que chamam de “maior caso de narcotráfico de Estado da história”.
































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