ALEXANDRE Curi e aliados emitem sinal de alerta ao Palácio Iguaçu enquanto sucessão de Ratinho Júnior entra em ebulição
CURITIBA – O que parecia ser apenas uma tarde de domingo na Arena da Baixada, acompanhando a vitória do Londrina sobre o Athletico, revelou-se um lance de xadrez político com endereço certo: o Centro Cívico. A foto do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Alexandre Curi (PSD), ladeado pelo secretário do Trabalho, Do Carmo (União), e pelo deputado federal Pedro Lupion (Republicanos), não foi apenas um registro de torcedores, mas um manifesto visual sobre as articulações para 2026.
O cenário na capital paranaense é de crescente tensão silenciosa. Enquanto o governador Ratinho Júnior (PSD) tenta viabilizar seu nome no plano nacional como uma alternativa da direita à Presidência — aparecendo com cerca de 8% de intenções de voto em levantamentos recentes —, a base governista no estado começa a dar sinais de fragmentação.
O tabuleiro da sucessão
Alexandre Curi, que já declarou publicamente sua pré-candidatura ao Governo do Estado e pretende se desincompatibilizar do cargo em abril, tem intensificado movimentos para consolidar um grupo próprio. A presença de Lupion e Do Carmo ao seu lado sinaliza que Curi está disposto a buscar sustentação fora do PSD, caso o partido não garanta sua cabeça de chapa.
O Republicanos, inclusive, já abriu as portas para uma possível migração tanto de Curi quanto do próprio Ratinho Júnior, em um movimento que poderia esvaziar a legenda de Gilberto Kassab no Paraná.
Desafios e “fogo amigo”
A “debandada” sugerida por interlocutores ganha força diante da indefinição do Palácio Iguaçu. Ratinho Júnior enfrenta um dilema duplo:
- Nacional: Precisa se mostrar competitivo para não ser engolido por nomes como Tarcísio de Freitas ou Ronaldo Caiado.
- Estadual: Lida com uma disputa interna acirrada entre Curi e o secretário das Cidades, Guto Silva, além da sombra do ex-prefeito Rafael Greca e da pressão exercida por uma possível aliança entre Sergio Moro (União) e o PL de Jair Bolsonaro.
Bastidores da ALEP
A ausência de Curi da presidência da Casa nos últimos dias — período em que a deputada Flávia Francischini assumiu interinamente o comando até 23 de fevereiro — também é lida como um recolhimento estratégico para alinhar apoios no interior.
O “cheiro de debandada” mencionado por analistas políticos reflete o receio de que o PSD paranaense sofra uma implosão. Se o governador não conseguir unificar a base em torno de um sucessor natural, o grupo que hoje sustenta sua gestão — com 85% de aprovação — pode chegar a 2026 dividido em pelo menos três palanques distintos, abrindo brecha para que a oposição ou nomes independentes ganhem terreno na disputa pela sucessão estadual.
































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