Dólar abaixo de R$ 5? Mercado monitora queda e projeta impacto nos juros e inflação
SÃO PAULO – O mercado financeiro brasileiro vive um início de 2026 marcado por uma valorização expressiva do real frente à moeda norte-americana. Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, o dólar comercial acentuou sua trajetória de queda, sendo negociado na casa dos R$ 5,12, atingindo o seu menor patamar desde maio de 2024. O movimento reacende o debate entre economistas e investidores: afinal, a barreira psicológica dos R$ 5,00 será rompida em breve?
O que está impulsionando a queda?
A recente desvalorização do dólar é resultado de uma combinação de fatores externos e internos. No cenário internacional, a política comercial dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, tem gerado volatilidade, mas também momentos de correção que favorecem moedas de países emergentes. Investidores têm aproveitado o diferencial de juros (carry trade), captando recursos em economias com taxas baixas para aplicar no Brasil, onde a Selic permanece em níveis elevados.
Internamente, dados macroeconômicos mais positivos do que o esperado têm dado suporte ao real:
- Superávit Primário: O governo registrou um superávit de R$ 86,9 bilhões em janeiro.
- IBC-Br: A prévia do PIB veio acima das projeções, sinalizando resiliência econômica.
- Inflação: As expectativas para o IPCA de 2026 foram reduzidas pelo Relatório Focus para 3,91%, aproximando-se da meta do Banco Central.
Divergências sobre o patamar de R$ 5
Apesar do otimismo recente, o consenso para o fim do ano ainda é de cautela. Segundo o último Relatório Focus, a projeção do mercado para o dólar no encerramento de 2026 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45. Isso sugere que a maioria dos analistas enxerga a queda atual como um movimento conjuntural, e não necessariamente uma tendência de longo prazo que levaria a moeda para baixo dos R$ 5 de forma sustentada.
Gestores de grandes fundos, como a Kinea, apontam que o patamar atual da Selic (em torno de 15%) é extremamente atrativo para o fluxo de capital estrangeiro, mas preveem que o Banco Central deve iniciar um ciclo de cortes acelerado caso a inflação continue cedendo. “O juro está muito alto e deve cair conforme a inflação se aproxima da meta”, avaliam especialistas, o que poderia, eventualmente, reduzir a pressão de valorização do real no segundo semestre.
Riscos no radar
O caminho para o “dólar sub-5” ainda enfrenta obstáculos. O principal risco, segundo analistas da Folha e do Estadão, reside nas frentes fiscal e eleitoral. À medida que as eleições brasileiras de 2026 se aproximam, a incerteza política tende a elevar o prêmio de risco, o que historicamente pressiona o câmbio para cima. Além disso, as tensões geopolíticas globais, envolvendo EUA e Irã, e as novas tarifas comerciais de Trump continuam sendo o principal termômetro para o apetite ao risco global.
Para o consumidor e para as empresas que dependem de importação, o momento é de monitoramento constante. Se por um lado o recuo ajuda a segurar os preços de combustíveis e alimentos, por outro, a volatilidade impede planejamentos de longo prazo baseados em um dólar significativamente mais barato.
































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