TAURUS exige reembolso de US$ 18 milhões após reviravolta tarifária nos Estados Unidos
A Taurus Armas, principal fabricante brasileira de armamentos, entrou em uma nova fase de sua ofensiva financeira e jurídica no mercado norte-americano. O CEO da companhia, Salesio Nuhs, confirmou que a empresa busca o reembolso de aproximadamente US$ 18 milhões (cerca de R$ 90 milhões) pagos em tarifas de importação ao governo dos Estados Unidos. A movimentação ocorre após a Suprema Corte dos EUA considerar improcedente a sobretaxa de 50% que havia sido aplicada a produtos brasileiros.
O cenário das tarifas e a vitória jurídica
O conflito tarifário atingiu o ápice quando as importações da Taurus saltaram de uma alíquota zero para 50%, uma medida que o CEO Salesio Nuhs classificou como um “embargo comercial” disfarçado. No entanto, em uma decisão recente de fevereiro de 2026, a justiça americana barrou o chamado “tarifaço” de Donald Trump, reduzindo a pressão imediata sobre a fabricante.
Atualmente, a taxa foi fixada em 10%, seguindo diretrizes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP). Embora uma nova taxa temporária de 15% tenha sido mencionada para os próximos meses, o fim da barreira de 50% é visto pela Taurus como um divisor de águas para recuperar sua competitividade.
Estratégia de sobrevivência e produção local
Para mitigar os impactos das taxas elevadas enquanto a disputa corria na justiça, a Taurus adotou medidas drásticas:
- Montagem nos EUA: A empresa passou a enviar kits de peças fabricados no Brasil para serem montados em sua unidade na Geórgia (EUA), reduzindo o imposto pago sobre o produto final.
- Ajuste de Preços: Em julho de 2025, a companhia já havia promovido um reajuste médio de 7% em sua tabela de preços nos Estados Unidos para absorver parte dos custos.
- Eficiência Operacional: Houve um esforço de redução de despesas e antecipação de estoques, o que permitiu à empresa manter margens brutas em torno de 34%, patamar superior ao de muitos concorrentes locais.
Desempenho financeiro e mercado global
Apesar da vitória nas tarifas, o mercado norte-americano — que representa cerca de 90% das vendas da companhia — enfrenta uma desaceleração. Em 2024, a Taurus vendeu 1,17 milhão de armas, uma queda frente ao recorde de 1,4 milhão de unidades em 2021. No terceiro trimestre de 2025, a empresa reportou lucro líquido de R$ 31,5 milhões, mostrando resiliência mesmo com uma queda de 11% na receita líquida.
Com a redução das tarifas para o patamar de 10%, Nuhs projeta que a Taurus se tornará “muito mais competitiva”, pois manterá os ganhos de eficiência obtidos durante a crise. Além dos EUA, a fabricante mira expansão na Índia e em países da África para diversificar suas fontes de receita e reduzir a dependência das flutuações políticas e tributárias de Washington.
































Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.