CÂMARA aprova acordo histórico entre Mercosul e União Europeia
Em uma decisão classificada como estratégica para a inserção do Brasil no comércio global, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (25 de fevereiro de 2026), o texto do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A votação, realizada de forma simbólica, marca um avanço decisivo para o tratado que estava em negociação há mais de 25 anos. Agora, a matéria segue para análise do Senado Federal, com expectativa de ratificação definitiva pelo Congresso até março.
A aprovação ocorreu após uma articulação direta do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O governo brasileiro busca acelerar a internalização do acordo como uma resposta às recentes tensões comerciais globais, incluindo a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos.
O que muda com o acordo
O tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, integrando um mercado de 718 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22,4 trilhões. Entre os principais pontos aprovados, destacam-se:
- Zera de tarifas: A União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas de importação sobre 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos. Em contrapartida, o Mercosul liberalizará as taxas para 91% dos produtos europeus em um prazo de até 15 anos.
- Setores beneficiados: Produtos como couro, café, melão e limão terão redução gradual de impostos. O setor industrial brasileiro projeta ganhos competitivos com a isenção de tarifas em máquinas e equipamentos.
- Cotas para o agronegócio: O acordo prevê cotas específicas para carnes, como 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa reduzida e 180 mil toneladas de aves sem alíquotas.
Resistências e salvaguardas
Apesar do otimismo no Legislativo brasileiro, o caminho internacional ainda enfrenta obstáculos. Na Europa, a França lidera uma forte resistência ao pacto. Recentemente, o Parlamento francês aprovou uma resolução orientando o governo de Emmanuel Macron a rejeitar o texto, sob pressão de agricultores locais que temem a concorrência sul-americana.
Para mitigar preocupações internas, o relator da matéria na Câmara, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), destacou que o governo federal já trabalha na regulamentação de salvaguardas. O objetivo é proteger setores sensíveis da indústria e do agronegócio brasileiro contra surtos de importação ou desequilíbrios comerciais.
Próximos passos
No Senado, o texto deve passar pela Comissão de Relações Exteriores antes de ir ao plenário. Segundo o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a Casa deve realizar audiências públicas para detalhar os impactos técnicos do acordo. Se aprovado sem modificações, o projeto será promulgado pelo Congresso, consolidando a adesão do Brasil ao tratado comercial mais ambicioso de sua história recente.
































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