JUSTIÇA CONDENA Alicia Dudy Müller por golpe em lotérica após desvio de R$ 927 mil da USP
SÃO PAULO – A ex-estudante de Medicina da USP, Alicia Dudy Müller Veiga, sofreu uma nova derrota nos tribunais. Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, a 32ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda a condenou a três anos de prisão em regime semiaberto. A nova sentença refere-se a um estelionato cometido contra uma casa lotérica na Zona Sul de São Paulo, onde a ré tentou realizar apostas de alto valor sem o devido pagamento.
A decisão da juíza Adriana Costa soma-se a uma condenação anterior, de julho de 2024, em que Alicia recebeu uma pena de cinco anos de reclusão pelo desvio de R$ 927 mil do fundo de formatura de sua própria turma na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
O novo crime: O “golpe” da Lotofácil
As investigações apontaram que, em 2022, enquanto já geria indevidamente o dinheiro dos colegas, Alicia passou a frequentar uma lotérica para realizar jogos de valores vultosos. Segundo a denúncia:
- Alicia teria realizado cerca de R$ 461 mil em apostas totais no estabelecimento.
- No episódio que gerou a condenação, ela solicitou R$ 193,8 mil em jogos, mas apresentou apenas um comprovante de agendamento de transferência, não concluindo o pagamento real.
- A perícia indicou que as apostas eram uma tentativa desesperada de recuperar o montante desviado da comissão de formatura, do qual ela era presidente.
Registro médico sob questionamento
Apesar do histórico criminal, Alicia Dudy Müller conseguiu obter o registro no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) em dezembro de 2024, após concluir o curso. Atualmente, ela possui o CRM 267.045-SP com status ativo.
Entretanto, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou que a médica seja submetida a novos exames psicológicos. O órgão aponta uma contradição na estratégia da defesa: enquanto os advogados alegam que Alicia sofre de transtornos que afetariam sua capacidade de entender a ilicitude de seus atos, ela atua plenamente na profissão médica, que exige estabilidade psíquica e discernimento.
Outro lado: Defesa alega erro pericial
O advogado de defesa, Sergio Ricardo Stocco Giolo, afirmou que irá recorrer da nova decisão. Em manifestações anteriores à Justiça, a defesa sustentou que o perito responsável pelo caso ignorou documentações médicas que atestariam a vulnerabilidade mental da ré na época dos fatos.
”A defesa reforça a necessidade de observância ao direito ao esquecimento e reitera que Alicia possui condições de exercer sua profissão, sendo as questões judiciais tratadas nas instâncias cabíveis”, afirmou a equipe jurídica em notas recentes.
Até o momento, as penas impostas não impedem o exercício da medicina, uma vez que as condenações ainda permitem recursos em instâncias superiores.
































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