Juiz de Fora sob alerta: quase 24% da população vive em áreas de risco e tragédia recente mobiliza Defesa Civil e Governo Federal
A cidade de Juiz de Fora enfrenta um de seus momentos mais críticos no planejamento urbano e na segurança pública. Dados atualizados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) revelam que aproximadamente 128.946 pessoas — quase uma em cada quatro — vivem em áreas suscetíveis a deslizamentos, enchentes e enxurradas. O município ocupa agora a 9ª posição no ranking nacional de cidades com maior população exposta a riscos geo-hidrológicos.
Cenário de calamidade e recorde de chuvas
A situação atingiu o ápice nesta última semana de fevereiro de 2026. Juiz de Fora registrou o fevereiro mais chuvoso de sua história, com acumulados que superaram 590 mm em alguns pontos (como no bairro Marumbi), o que representa mais que o triplo da média histórica para o mês.
As consequências foram devastadoras: a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros confirmaram, até esta sexta-feira (27), 58 mortes apenas no município, além de diversos desaparecidos. A cidade decretou estado de calamidade pública após registrar mais de mil ocorrências em apenas três dias, concentradas principalmente nas regiões Leste e Norte.
O entrave dos investimentos
Apesar do mapeamento prévio dos riscos, a execução de obras preventivas tem enfrentado barreiras burocráticas. Informações recentes apontam que um montante de R$ 21,6 milhões do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), destinado especificamente para contenção de encostas, está travado há quase um ano devido a pendências documentais e ajustes técnicos solicitados pelo Governo Federal.
A gestão da prefeita Margarida Salomão (PT) tem buscado liberar esses recursos para intervenções em áreas críticas identificadas pela Defesa Civil. Paralelamente, a prefeitura destacou que investiu cerca de R$ 22 milhões em obras concluídas entre 2023 e 2025 nos bairros Borboleta, Santa Luzia, Grajaú e São Benedito, mas o volume extremo de chuva superou a capacidade das estruturas existentes.
Principais pontos da crise:
- Envolvidos: Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), Defesa Civil, Cemaden, Ministério das Cidades e Corpo de Bombeiros.
- Dados: 23,7% da população vive em áreas de risco; 99,78% dos riscos geológicos estão ligados a deslizamentos em encostas.
- Tragédia: 58 mortos confirmados em JF até 27/02/2026; mais de 3.500 desabrigados ou desalojados na região.
- Resposta: Plano de contingência acionado com apoio de equipes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e até especialistas de São Sebastião (SP).
Especialistas reforçam que a topografia da cidade, marcada por morros íngremes e ocupação histórica das margens do Rio Paraibuna, exige não apenas obras, mas uma revisão profunda do Plano Diretor e uma política habitacional que retire famílias das zonas de perigo iminente. A previsão do tempo indica que o solo segue saturado, mantendo o alerta de “grande perigo” para os próximos dias.
































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