Greca sobe o tom contra Ratinho Junior e expõe racha na sucessão estadual
O cenário político do Paraná entrou em ebulição nesta reta final de fevereiro de 2026. O ex-prefeito de Curitiba e atual secretário de Estado, Rafael Greca (PSD), subiu publicamente o tom contra o governador Ratinho Junior (PSD), insinuando uma possível “traição” no processo de escolha do candidato governista ao Palácio Iguaçu. A movimentação escancara o racha interno no grupo político e amplia o clima de desconfiança que paira sobre as articulações para as eleições de outubro.
O estopim da crise
A tensão, que vinha sendo cozida em fogo brando nos bastidores, transbordou após declarações recentes de Greca que sugerem que ele pode manter sua candidatura ao Governo do Estado mesmo sem o aval oficial do governador. O ex-prefeito, que esperava ser o “sucessor natural” após deixar a prefeitura com altos índices de aprovação, sente-se preterido pelas movimentações de Ratinho Junior, que tem estreitado laços com o senador Flávio Bolsonaro (PL) para definir o palanque paranaense.
Análises de bastidores indicam que o governador estaria mais inclinado a apoiar nomes como Guto Silva ou Alexandre Curi, buscando uma composição que garanta o apoio do PL à sua própria pretensão presidencial. Para Greca, essa estratégia soa como um descarte de sua biografia e lealdade, levando-o a adotar uma postura de enfrentamento.
Pesquisas e o “fator Moro”
A desunião no ninho governista acende o sinal de alerta devido ao desempenho do senador Sergio Moro (União) nas pesquisas de intenção de voto. Levantamentos recentes mostram Moro liderando isoladamente a corrida ao governo, aproveitando-se justamente da falta de um nome de consenso na base de Ratinho Junior.
Enquanto o grupo do governador não se decide, Greca tenta se viabilizar como uma “terceira via” interna, afirmando que “com o andar da carruagem, as abóboras se ajeitam”, mas deixando claro que não aceitará passivamente ser figurante em um acordo que o exclua da cabeça de chapa ou do Senado.
O dilema de Ratinho Junior
O governador Ratinho Junior vive um desafio duplo:
- Nacional: Viabilizar seu nome como alternativa da direita à Presidência da República, o que exige alianças com o clã Bolsonaro.
- Estadual: Manter a unidade de uma base heterogênea que, se fragmentada, pode entregar o governo à oposição ou a aliados “rebeldes” como Greca.
Próximos passos
A expectativa agora gira em torno de uma reunião decisiva programada para a próxima semana entre Ratinho Junior e lideranças do PL. O desfecho desse encontro poderá selar o destino de Rafael Greca: ou ele será reintegrado ao núcleo de decisão com uma promessa concreta, ou consolidará seu rompimento, podendo buscar abrigo em outra legenda para levar adiante sua candidatura, o que causaria um prejuízo incalculável à hegemonia do PSD no estado.
































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