Zema e Lula protagonizam embate sobre verba de R$ 3,5 bilhões para chuvas em Minas Gerais
O cenário de tragédia na Zona da Mata mineira, que já contabiliza mais de 70 mortos, tornou-se o novo epicentro de uma crise política entre o governador Romeu Zema (Novo) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No centro do conflito está a acusação, feita pelo governo federal, de que a gestão estadual teria deixado de utilizar R$ 3,5 bilhões destinados a obras de prevenção, o que foi classificado por Zema como “fake news”.
O estopim do conflito
Durante a 6ª Conferência Nacional das Cidades em Brasília, realizada no final de fevereiro, o presidente Lula, acompanhado pelo ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que o governo mineiro não apresentou projetos técnicos para acessar recursos do Novo PAC voltados para a contenção de encostas e macrodrenagem. Segundo o ministro, dos R$ 3,5 bilhões disponibilizados para o estado, a execução por parte da gestão Zema teria sido de apenas 4%, referente a projetos antigos de 2012.
Lula reforçou a crítica ao afirmar que a falta de iniciativa estadual prejudica o povo pobre, que é quem mais sofre com os deslizamentos. “O governo federal vai dar de graça casas para os desabrigados”, declarou o presidente durante visita a Juiz de Fora e Ubá no último sábado (28/02).
A resposta de Zema
O governador Romeu Zema reagiu duramente às declarações. Em publicações e notas oficiais, acusou o presidente de “espalhar fake news” em um momento de dor para os mineiros. Zema defende que sua gestão aumentou os investimentos em prevenção em 170% na média anual, atingindo a marca de R$ 1,9 bilhão em 2025.
O governador argumentou que a responsabilidade pela fiscalização de ocupações em áreas de risco é das prefeituras e que o governo federal tenta “politizar a tragédia”. “O cargo de presidente deveria ser para unir a nação, e não para espalhar mentiras”, afirmou Zema.
Balanço da tragédia e medidas de socorro
Enquanto o embate político escala, os números da tragédia na Zona da Mata seguem preocupantes:
- Vítimas: Até a manhã desta segunda-feira (02/03), o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil confirmaram 72 mortes, a maioria concentrada em Juiz de Fora (mais de 60 vítimas) e Ubá.
- Ação Federal: Lula anunciou que adotará em Minas o mesmo modelo de reconstrução utilizado no Rio Grande do Sul em 2024, incluindo a “Compra Assistida” de imóveis para quem perdeu a casa e a liberação de saque do FGTS e antecipação do Bolsa Família e BPC para os atingidos.
- Ação Estadual: O governo de Minas anunciou a antecipação de cerca de R$ 47 milhões para os municípios mais afetados, destinados a custeio hospitalar e apoio emergencial.
O clima de tensão entre o Palácio Tiradentes e o Palácio do Planalto ocorre no momento em que ambos os lados articulam alianças para as eleições de 2026, evidenciando que a gestão de desastres climáticos será um dos principais temas do debate eleitoral em Minas Gerais.

































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