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Bombeiros, governos e sobreviventes tentam reconstruir Ubá após tragédia com 72 mortos na região

Bombeiros, governos e sobreviventes tentam reconstruir Ubá após tragédia com 72 mortos na região

UBÁ, MG – “Eu fecho os olhos e o pesadelo volta. Sonho que a lama está caindo em mim, que o chão some.” O relato de uma das desabrigadas em Ubá resume o sentimento de centenas de moradores que, sete dias após o temporal devastador de 23 de fevereiro, ainda não conseguiram retomar a “normalidade”. Na Zona da Mata mineira, o trauma é agora o principal obstáculo para quem perdeu casas, parentes e a sensação de segurança.

​O balanço da tragédia

​Até esta segunda-feira (2), o número total de mortes na região chegou a 72 pessoas. Em Ubá, sete vítimas foram confirmadas, enquanto em Juiz de Fora, a cidade mais atingida, o número de óbitos saltou para 65. As buscas por desaparecidos entraram na fase final após o Corpo de Bombeiros localizar o último corpo em Juiz de Fora no sábado (28). Em Ubá, as equipes ainda monitoram áreas de risco e realizam a limpeza pesada com o apoio de máquinas enviadas pelo governo estadual.

​Medidas e auxílio financeiro

​O governo federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, já liberou cerca de R$ 16 milhões para ações de assistência e recuperação imediata. Adicionalmente, o governo de Minas Gerais destinou R$ 13 milhões para o reforço das equipes da Defesa Civil e compra de equipamentos.

​O presidente Lula, que sobrevoou a região no último fim de semana, anunciou que o modelo de reconstrução de moradias seguirá o padrão adotado no Rio Grande do Sul: a “compra assistida”. O governo federal pretende arcar com os custos para que famílias que perderam suas casas em encostas ou áreas de inundação possam adquirir novos imóveis em locais seguros, evitando a volta para as zonas de risco.

​Cidade parada

​Em Ubá, o decreto de calamidade pública continua em vigor. A Prefeitura anunciou que as aulas presenciais em todas as redes (municipal, estadual e privada) permanecerão suspensas pelo menos até o dia 6 de março. A infraestrutura da cidade sofreu danos severos: três pontes foram totalmente destruídas e o Rio Ubá atingiu a marca histórica de 7,82 metros no auge da tempestade, inundando inclusive asilos e funerárias.

​Próximos passos

​Enquanto a limpeza das ruas avança com o uso de retroescavadeiras e caminhões-pipa, a atenção volta-se para a saúde mental. Equipes do Ministério da Saúde foram enviadas à Zona da Mata para reforçar o atendimento em unidades básicas, que também foram atingidas pelas águas.

​Para os moradores de Ubá, a reconstrução física é apenas o começo. “A lama a gente limpa com mangueira, mas o medo de cada chuva que começa a cair no fim de tarde, esse não sai fácil”, desabafa um morador do bairro Industrial.

Últimas atualizações:

  • Mortos: 72 (65 em Juiz de Fora; 7 em Ubá).
  • Desabrigados/Desalojados: Cerca de 5.500 em toda a região.
  • Educação: Aulas suspensas em Ubá até sexta-feira (6).
  • Economia: Saque do FGTS por calamidade e crédito para pequenos empresários estão autorizados.

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