Abiec e Datagro alertam para risco em 40% das exportações de carne devido ao conflito no Irã
A escalada das tensões militares no Oriente Médio, intensificada pelos ataques recentes entre Irã, Israel e Estados Unidos, colocou o agronegócio brasileiro em estado de vigilância máxima. Segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e da consultoria Datagro, o conflito pode comprometer entre 30% e 40% do volume total das exportações brasileiras de carne bovina, um impacto que vai muito além das vendas diretas para a região.
O risco bilionário não se limita ao consumo local iraniano, mas à paralisia logística. O Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz são rotas vitais para os navios que levam a proteína brasileira para a Ásia, incluindo a China — o maior comprador do Brasil.
Os números do impacto
Embora o Oriente Médio responda diretamente por cerca de 7% dos embarques de carne bovina in natura (aproximadamente 210 mil toneladas), a interrupção das rotas marítimas e a suspensão de reservas por grandes armadores ameaçam o fluxo global.
Principais gargalos para o setor
O cenário “gravíssimo”, como definido por Roberto Perosa, presidente da Abiec, já apresenta reflexos práticos nesta primeira semana de março de 2026:
- Taxas de Guerra: Armadores começaram a aplicar sobretaxas de até US$ 4.000 por contêiner para cargas que transitam pela região.
- Paralisação de Abates: Empresas que produzem cortes específicos para o mercado Halal (que segue preceitos islâmicos) já avaliam suspender a produção temporariamente devido à incerteza nos embarques.
- Crise dos Fertilizantes: O conflito ameaça o fornecimento de gás natural para países como Catar e Omã, o que pode disparar o preço global da ureia e de outros fertilizantes nitrogenados essenciais para a safra brasileira.

































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