MPF denuncia cinco pessoas por tráfico internacional de mulheres e tentativa de homicídio no Paraná

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco integrantes de uma organização criminosa acusada de tráfico internacional de pessoas, submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo e prática de crimes violentos no Paraná. A denúncia, aceita pela Justiça Federal, detalha um esquema transnacional armado voltado para a exploração sexual e trabalho escravo de mulheres atraídas principalmente do Paraguai.

Segundo as investigações, as vítimas eram aliciadas em seu país de origem com falsas promessas de emprego e boas condições de vida no Brasil. Ao chegarem ao estado do Paraná, eram retidas em casas noturnas e submetidas a uma rotina de violência e graves restrições de liberdade. A quadrilha aplicava “multas” abusivas que variavam entre R$ 500 e R$ 5 mil anotadas em cadernos de controle, com o objetivo de gerar dívidas impagáveis e impossibilitar que as mulheres deixassem o local.

Além da exploração contínua, os denunciados recorreram a atos extremados de violência para coagir as vítimas e intimidar testemunhas. Em uma das situações descritas pelo órgão ministerial, o grupo criminoso provocou um incêndio em uma casa noturna no intuito de matar duas testemunhas que dormiam no imóvel, as quais conseguiram escapar antes que as chamas se alastrassem. O grupo também enviava mensagens de cunho intimidatório aos familiares das vítimas no exterior.

Diante do conjunto de provas colhido — que inclui perícias, análises de registros telefônicos e imagens de videomonitoramento —, o MPF requereu a condenação dos réus por nove crimes, incluindo organização criminosa transnacional armada, tráfico internacional de pessoas, trabalho escravo, rufianismo, manutenção de casa de prostituição, sequestro, roubo, lesão corporal e tentativa de homicídio qualificado. A acusação solicitou ainda que seja fixada uma indenização obrigatória para reparação dos danos morais e materiais causados às vítimas. O processo tramita sob segredo de Justiça.


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