Delta Global Bank planeja liberar R$ 1 bilhão em crédito e abrir 100 agências físicas
Em um movimento que desafia a tendência de digitalização total do setor bancário, o Delta Global Bank, uma fintech autorizada pelo Banco Central como Sociedade de Crédito Direto (SCD), anunciou uma estratégia ambiciosa: a abertura de 50 a 100 pontos de atendimento físico em cidades brasileiras até o final de 2026. O objetivo central é alavancar a concessão de crédito consignado, com a meta de atingir a marca de R$ 1 bilhão em liberações.
A estratégia foca predominantemente em servidores públicos municipais, estaduais e federais. Segundo o CEO da instituição, Pedro Ricco, o banco identificou que esse público, embora utilize canais digitais, ainda valoriza a presença local e o atendimento presencial para operações financeiras de maior complexidade ou longo prazo, como o consignado.
Expansão física como diferencial competitivo
Enquanto os grandes bancos de varejo seguem fechando agências para reduzir custos fixos, o Delta Global Bank enxerga uma “orfandade” no mercado. “Nunca tivemos tantas oportunidades de chegar onde eventualmente o mercado está ficando órfão”, afirmou Ricco em entrevista à Exame. A ideia é ocupar espaços em cidades onde o atendimento humanizado tornou-se escasso, utilizando as unidades físicas não apenas como pontos de venda, mas como centros de confiança para o servidor.
Os números projetados pela instituição são robustos:
- Faturamento: Após fechar 2025 com cerca de R$ 10 milhões, a meta é saltar para R$ 50 milhões em 2026.
- Contratos: O banco pretende passar dos atuais 2 mil contratos ativos para 10 mil até dezembro do próximo ano.
- Serviços Públicos: Além do crédito, a fintech planeja oferecer gestão de folha de pagamento e arrecadação de tributos para prefeituras.
O cenário do crédito consignado
O movimento do Delta Global Bank assemelha-se ao de outras instituições que colheram frutos com o modelo híbrido (físico-digital), como o Banco Mercantil, que recentemente reportou um lucro recorde de R$ 1 bilhão em 2025, impulsionado justamente pela expansão de agências e pelo foco no público 50+ e pensionistas.
O setor de consignado é visto como estratégico por apresentar baixo risco de inadimplência, já que as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento. Para as fintechs, a autorização de SCD permite operar com capital próprio, garantindo maior agilidade na concessão, mas a barreira de entrada no setor público exige convênios específicos e uma capilaridade que o atendimento 100% digital muitas vezes demora a conquistar sozinho.
Com o plano de expansão em curso, o Delta Global Bank posiciona-se para ser um player relevante no interior do país, unindo a eficiência tecnológica das fintechs à proximidade tradicional das agências bancárias.

































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