Os advogados do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, protocolaram junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para obter acesso integral aos elementos técnicos e dados brutos extraídos dos aparelhos celulares apreendidos pela Polícia Federal. A solicitação, coordenada pelos advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, visa permitir que um assistente técnico indicado pela defesa realize uma perícia própria no material, com o objetivo de avaliar a licitude dos procedimentos de extração e a integridade das provas digitais.
A movimentação da defesa ocorre em um momento de alta tensão no caso, especialmente após o vazamento de mensagens íntimas e diálogos atribuídos ao banqueiro. Em decisão recente, proferida na última sexta-feira (6 de março de 2026), o ministro André Mendonça, atual relator das investigações sobre o Banco Master no STF, determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal para apurar a origem desses vazamentos. Mendonça ressaltou que o tratamento das informações deve respeitar garantias fundamentais e a preservação da intimidade de terceiros.
Novidades e desdobramentos técnicos
De acordo com as atualizações mais recentes do caso:
- Acesso aos dados brutos: A defesa alega que o acesso concedido anteriormente foi parcial e que, sem as “imagens forenses completas” e os logs de extração, não é possível garantir que a cadeia de custódia das provas foi preservada.
- Novas apreensões: Durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada no dia 4 de março, a Polícia Federal apreendeu mais três celulares de Vorcaro em sua cela e em endereços ligados a ele. Ao todo, a PF possui oito aparelhos sob análise, mas apenas o conteúdo de um deles foi processado integralmente até o momento.
- Polêmica com o Judiciário: Mensagens divulgadas pela imprensa sugeriam diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O ministro negou veementemente qualquer contato, classificando as informações como “ilação mentirosa”. A assessoria do STF complementou que as mensagens aparecem vinculadas a outros contatos no celular de Vorcaro, e não ao magistrado.
- Manifestação de Dias Toffoli: O ministro Dias Toffoli também veio a público negar que tenha tido acesso ao conteúdo dos aparelhos durante o período em que foi relator do inquérito. Segundo Toffoli, o material só chegou ao STF após a relatoria passar para André Mendonça, em 12 de fevereiro.
A Operação Compliance Zero investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção. A defesa de Vorcaro sustenta que o vazamento seletivo de mensagens “atrapalha os trabalhos de esclarecimento dos fatos” e busca, por meio da perícia técnica, invalidar elementos que possam ter sido manipulados ou obtidos de forma inadequada durante a custódia policial.




