Trump e Díaz-Canel no centro do colapso energético que asfixia Cuba
A Revolução Cubana vive, em março de 2026, o que especialistas e órgãos internacionais classificam como a maior ameaça à sua continuidade desde a crise dos mísseis de 1962. O governo de Miguel Díaz-Canel enfrenta um cenário de paralisia quase total, impulsionado por uma nova e agressiva estratégia de Washington sob a administração de Donald Trump.
O cerco do petróleo e o “efeito dominó”
O ponto de inflexão desta crise ocorreu em janeiro de 2026, quando o governo Trump assinou a Ordem Executiva 14380. O decreto declarou emergência nacional e estabeleceu tarifas punitivas a qualquer país ou empresa que forneça petróleo à ilha.
O impacto foi imediato:
- México: A estatal Pemex, sob pressão de tarifas, interrompeu o envio regular de combustível. A presidente Claudia Sheinbaum classificou a decisão de suspender as entregas como uma medida “soberana”, embora analistas apontem o peso das ameaças comerciais americanas.
- Venezuela: Após a intervenção dos EUA que resultou na queda de Nicolás Maduro no início do ano, o fluxo de petróleo subsidiado — pilar da economia cubana por décadas — foi cortado definitivamente.
- Bloqueio Naval: Há relatos de petroleiros sendo interceptados ou forçados a mudar de rota no Atlântico para evitar sanções.
O cotidiano no escuro
A escassez de combustível atingiu o coração da infraestrutura cubana. Na última quarta-feira, 4 de março, um apagão generalizado deixou milhões de pessoas sem luz, afetando desde Havana até as províncias do leste.
”Todos os dias é a mesma fome, a mesma miséria”, relata uma moradora de Havana à BBC, ilustrando o cansaço de uma população que agora recorre à lenha para cozinhar e enfrenta o desabastecimento de produtos básicos.
Geopolítica e resistência
Enquanto o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, expressa preocupação com um possível colapso humanitário, o governo cubano acusa os EUA de praticarem uma “ditadura globalizada” e uma “política genocida”.
Em contrapartida, Trump sinalizou que o governo cubano deve “chegar a um acordo antes que seja tarde demais”, sugerindo abertamente que figuras da oposição, como o senador Marco Rubio, poderiam desempenhar papéis centrais em uma eventual transição política na ilha.
O Brasil, sob a gestão de Lula, tem buscado vias diplomáticas e avalia o envio de ajuda humanitária, mas o temor de retaliações tarifárias por parte de Washington trava ações mais robustas. Por outro lado, a China prometeu apoio contínuo contra o bloqueio energético, embora a logística para o envio de recursos através de meio globo permaneça um desafio técnico e político.
Sem uma solução para a matriz energética e sob o peso de um embargo que agora mira diretamente o combustível, Cuba caminha sobre o fio da navalha entre a resistência ideológica e a falência social.

































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