Investigação Caso Master: como Vorcaro desviava dinheiro para familiares
Pai, irmã e primo estão entre os apontados pela Polícia Federal como destinatários de repasses milionários sob suspeita de fraude
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o colapso e as supostas fraudes no Banco Master revelou um esquema sofisticado de drenagem de recursos da instituição financeira para o núcleo familiar de seu principal acionista, Daniel Vorcaro. Segundo documentos da Operação Compliance Zero, o banqueiro teria utilizado uma rede de empresas e fundos de investimento para mascarar o repasse de cifras bilionárias a parentes próximos, incluindo seu pai, irmã e um primo.
O núcleo familiar e os valores desviados
Os relatórios da PF detalham que o esquema não se limitava a operações bancárias convencionais, mas envolvia a triangulação de valores que, em última instância, beneficiavam o patrimônio pessoal da família Vorcaro.
- Henrique Vorcaro (Pai): A investigação aponta que cerca de R$ 2,2 bilhões foram identificados em contas ligadas ao pai do banqueiro. A PF sustenta que esses valores foram ocultados por meio de operações de fachada para evitar o rastreio pelos órgãos de controle.
- Fabiano Zettel (Cunhado/Operador): Apontado como uma peça-chave na engenharia financeira, Zettel foi preso em janeiro de 2026. Ele é suspeito de atuar na ponta operacional que viabilizava a saída de capital do banco para veículos de investimento privados.
- Outros familiares: A irmã e um primo de Vorcaro também constam nos autos como destinatários de repasses que somam dezenas de milhões de reais, frequentemente justificados como “pagamentos de serviços” ou “empréstimos” sem lastro real.
Bens no exterior e o “bloqueio americano”
Além das contas nacionais, a PF e a justiça brasileira acionaram autoridades dos Estados Unidos para o congelamento de bens. Entre as propriedades sob suspeita, destaca-se uma mansão na Flórida, adquirida com recursos que a massa liquidante do Master atribui diretamente a desvios. O objetivo é evitar que a família se desfaça dos ativos antes que o ressarcimento aos credores seja garantido.
”A extensão e a complexidade destas cadeias de transações apresentam indícios de que as operações foram estruturadas para desviar recursos com destinação alheia aos interesses do banco”, afirma um trecho do relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Últimas atualizações: prisão e transferência
Na última semana, o caso tomou novos rumos dramáticos:
- Segunda Prisão: Daniel Vorcaro foi preso preventivamente pela segunda vez em 4 de março de 2026, por ordem do ministro André Mendonça.
- Segurança Máxima: Devido ao temor de que sua influência pudesse obstruir as investigações ou facilitar uma fuga, Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília na última sexta-feira (6).
- Suicídio de Aliado: O caso foi marcado pela morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como o braço armado de Vorcaro para intimidar jornalistas e autoridades. Ele cometeu suicídio em sua cela na sede da PF em Minas Gerais após ser preso na mesma operação.
O que diz a defesa
A defesa de Daniel Vorcaro nega veementemente qualquer irregularidade. Em notas recentes, os advogados afirmam que as transações citadas pela PF possuem lastro comercial, foram declaradas à Receita Federal e que o banqueiro está sendo vítima de um “vazamento seletivo de informações” fora de contexto. Sobre os familiares, a defesa de Henrique Vorcaro declarou que ele não possui envolvimento em operações ilícitas.

































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