Justiça investiga agência por recrutar cabos eleitorais para Ricardo Nunes
São Paulo – O Ministério Público Eleitoral (MPE) e órgãos de fiscalização de São Paulo intensificaram as investigações sobre uma agência de publicidade suspeita de irregularidades na contratação de pessoal para a campanha do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O foco da apuração é o recrutamento e o pagamento de cabos eleitorais por meio de estruturas que podem configurar uso indevido da máquina pública ou omissão de gastos eleitorais (o chamado “caixa dois”).
De acordo com denúncias que fundamentam o inquérito, a agência — que já possui contratos com a administração municipal — teria sido utilizada para arregimentar militantes de rua e influenciadores digitais, efetuando pagamentos que não apareceriam de forma transparente nas contas oficiais de campanha. O caso levanta suspeitas de que recursos públicos destinados à publicidade institucional da prefeitura possam ter sido desviados para financiar atividades de promoção política pessoal e eleitoral.
Novidades e desdobramentos recentes
As investigações ganharam corpo após o Tribunal de Contas do Município (TCM) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) identificarem um aumento atípico nos repasses para agências de comunicação nos meses que antecederam o período eleitoral. Entre as atualizações mais recentes sobre o tema, destacam-se:
- O “Midialão” de Nunes: Reportagens investigativas e denúncias de parlamentares da oposição apontam que cerca de R$ 16,5 milhões foram destinados a jornais de bairro e veículos de comunicação hiperlocais. Muitos desses veículos, segundo o Ministério Público, funcionariam como “braços” da agência investigada para publicar conteúdos elogiosos ao prefeito, simulando jornalismo independente para esconder propaganda política paga com dinheiro público.
- Contratos Emergenciais sob Suspeita: O Ministério Público também identificou indícios de fraude em 23 contratos emergenciais da gestão Nunes, totalizando mais de R$ 42 milhões. Investigadores buscam conexões entre as empresas beneficiadas por esses contratos e o financiamento da estrutura de cabos eleitorais que atuam na defesa da imagem do prefeito nas periferias de São Paulo.
- Cruzamento de Dados: A Justiça Eleitoral solicitou a quebra de sigilo bancário de subcontratadas da agência para verificar se os valores recebidos da prefeitura coincidem com os pagamentos efetuados a pessoas físicas que atuaram na distribuição de panfletos e mobilização de redes sociais.
O outro lado
Em nota, a assessoria de Ricardo Nunes e os representantes da agência negam qualquer irregularidade. A defesa do prefeito afirma que todos os gastos de campanha são declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que as contratações da prefeitura seguem estritamente a Lei de Licitações. Segundo o governo municipal, o aumento nos gastos com publicidade se justifica pela necessidade de informar a população sobre obras e serviços públicos, sem fins eleitorais.
O desfecho do caso pode resultar em multas pesadas, cassação de registro de candidatura ou, em casos mais graves, na inelegibilidade dos envolvidos por abuso de poder econômico e político. O processo segue em segredo de justiça em algumas de suas frentes de investigação.

































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