Mensagens revelam atuação de sócio oculto do Careca do INSS para se blindar

Novas revelações das investigações da Polícia Federal (PF) apontam que a estrutura de desvios bilionários no INSS contava com uma sofisticada rede de blindagem para proteger seus verdadeiros beneficiários. Mensagens obtidas em celulares apreendidos indicam que o empresário Tiago Schettini Batista atuava como “sócio oculto” de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, operando fora dos registros oficiais para evitar a detecção por órgãos de fiscalização.

​De acordo com o inquérito, Schettini não aparecia formalmente nos negócios, mas exercia papel central na gestão da CBPA, uma das entidades usadas para aplicar descontos indevidos em aposentadorias. A PF sustenta que esse comportamento buscava criar uma camada de proteção jurídica e financeira, garantindo que o empresário participasse dos lucros — estimados em dois terços das cotas de determinados ramos do esquema — sem se expor a investigações criminais.

​O elo com o poder e novas frentes de investigação

​O caso ganhou contornos ainda mais graves com a inclusão de nomes do círculo político de Brasília. Investigadores apuram se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também possuía participação oculta no esquema. Mensagens trocadas entre o Careca do INSS e a lobista Roberta Luchsinger sugerem uma preocupação direta em “blindar” o nome do filho do presidente. Em um dos diálogos, Roberta e Antunes combinam silêncio absoluto após o empresário ser questionado por jornalistas sobre sua relação com Lulinha.

​Documentos apreendidos mencionam repasses que poderiam chegar a R$ 25 milhões e uma suposta “mesada” de R$ 300 mil, informações baseadas no depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Antunes. A defesa de Lulinha nega veementemente qualquer envolvimento, classificando as citações como descontextualizadas e baseadas em vazamentos criminosos.

​O tamanho do prejuízo

​O esquema, alvo da Operação Cambota (uma nova fase da Operação Sem Desconto), teria movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A fraude consistia em:

  • Captação de dados: Uso de propina para servidores do INSS fornecerem informações de aposentados.
  • Entidades de fachada: Criação de associações que realizavam descontos de mensalidades sem autorização dos beneficiários.
  • Lavagem de dinheiro: Uso de empresas de fachada e aquisição de bens de luxo, incluindo Ferraris e imóveis de alto padrão, para ocultar o patrimônio.

​Atualmente, o Careca do INSS permanece preso, e a CPMI que investiga o caso no Congresso Nacional busca esclarecer o papel de cada integrante na hierarquia da organização criminosa. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, autorizou novas diligências para rastrear o caminho do dinheiro e identificar se outros agentes públicos foram beneficiados pela rede de corrupção.

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