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Governo chinês e hotéis enfrentam crise de espionagem após vazamento massivo de vídeos íntimos

Governo chinês e hotéis enfrentam crise de espionagem após vazamento massivo de vídeos íntimos

PEQUIM – Uma rede clandestina de monitoramento em quartos de hotel voltou a colocar a China sob pressão internacional. O que começou como um problema de segurança local escalou para uma crise de privacidade global, com milhares de gravações íntimas sendo comercializadas em fóruns obscuros da internet e plataformas de mensagens.

​O avanço das câmeras invisíveis

​A indústria de câmeras espiãs, consolidada há mais de uma década no mercado chinês, evoluiu tecnologicamente de forma alarmante. Dispositivos menores que um grão de arroz são escondidos em locais improváveis:

  • Tomadas de energia e detectores de fumaça;
  • Roteadores de Wi-Fi e televisores;
  • Pequenos furos em cabeceiras de cama e até dentro de boxes de banho.

​O medo é tão real que se tornou comum entre mulheres chinesas a prática de montar barracas de acampar sobre a cama dentro dos quartos de hotel, criando uma barreira física contra possíveis lentes ocultas.

​Novas leis e o desafio da fiscalização

​Em resposta à “epidemia” de voyeurismo, o governo chinês endureceu as regras. Em abril de 2025, entraram em vigor as novas Regulamentações sobre a Gestão de Sistemas de Informação de Vídeo de Segurança Pública. O texto é explícito:

​”É proibida a instalação de equipamentos de aquisição de imagens em quartos de hotéis, dormitórios, banheiros e provadores.”

​Além disso, desde o início de 2026, a revisão da Lei de Cibersegurança da China impôs multas severas (que podem chegar a 100 mil yuans) e a suspensão de licenças para estabelecimentos que não realizarem inspeções diárias rigorosas. No entanto, o Serviço Mundial da BBC revelou que o mercado ilegal continua vibrante, com grupos de “assinatura” que oferecem transmissões ao vivo de quartos invadidos.

​Como se proteger: Dicas para viajantes

​Especialistas em segurança digital recomendam um protocolo básico ao fazer o check-in:

  1. Varredura de luz: Apague todas as luzes e use a lanterna do celular para buscar reflexos em vidros ou plásticos.
  2. Apps de rede: Utilize aplicativos que identificam todos os dispositivos conectados ao Wi-Fi do quarto.
  3. Inspeção física: Verifique objetos que apontam diretamente para a cama ou o chuveiro.

​Apesar dos esforços de Pequim para “limpar” a imagem do seu setor hoteleiro, a batalha entre a tecnologia de vigilância e o direito à privacidade parece longe de um fim definitivo.

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