Trend “Caso ela diga não” vira alvo de investigações policiais por apologia à violência de gênero
Uma nova onda de conteúdos nas redes sociais, sob a hashtag #CasoElaDigaNão, acendeu o alerta máximo em órgãos de segurança e entidades de direitos humanos. O que começou como uma suposta “trend” de vídeos curtos está sendo classificado por especialistas e autoridades como apologia ao crime e estímulo direto à violência contra a mulher.
O mecanismo da violência digital
A dinâmica dos vídeos segue um padrão perturbador: homens simulam situações de rejeição amorosa ou sexual seguidas de comportamentos agressivos, ameaças implícitas ou o uso de força física para “convencer” a parceira.
- Objetificação: A mulher é colocada em posição de submissão.
- Normalização do abuso: O conteúdo trata o assédio e a agressão como uma resposta aceitável ao “não”.
- Alcance algorítmico: O formato de vídeos curtos facilita a viralização rápida entre o público jovem, mascarando o crime sob a estética de “entretenimento”.
Atuação das autoridades e plataformas
O Ministério Público e delegacias especializadas de atendimento à mulher (DEAMs) já monitoram os principais perfis disseminadores. De acordo com o Código Penal Brasileiro, a incitação pública à prática de crime (Art. 286) e a apologia de crime ou criminoso (Art. 287) podem resultar em detenção e multa.
As plataformas digitais também estão sob pressão para endurecer a moderação.
”Não se trata de liberdade de expressão ou humor. Quando um conteúdo ensina ou encoraja alguém a ignorar o consentimento feminino, ele está pavimentando o caminho para o feminicídio”, afirma a Dra. Mariana Silva, especialista em crimes cibernéticos.
Números e Canais de Denúncia
Apesar do avanço das leis, como a Lei Maria da Penha, o Brasil ainda registra altos índices de violência doméstica. Iniciativas como essa trend reforçam a necessidade de vigilância constante.

































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