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Médicos e Anvisa alertam para os riscos cardíacos e psicológicos do uso recreativo da tadalafila por jovens

Médicos e Anvisa alertam para os riscos cardíacos e psicológicos do uso recreativo da tadalafila por jovens

​O uso da tadalafila, medicamento originalmente desenvolvido para o tratamento da disfunção erétil e hiperplasia prostática benigna, deixou de ser exclusividade dos consultórios urológicos para se tornar um fenômeno perigoso nas redes sociais. Impulsionado por vídeos no TikTok e Instagram, o fármaco vem sendo consumido de forma indiscriminada por jovens que buscam uma “super performance” sexual ou um atalho estético nas academias, ignorando riscos que podem ser fatais.

​A ilusão do “pump” e o perigo nas academias

​Recentemente, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e especialistas em cardiologia emitiram alertas sobre a moda da tadalafila como pré-treino. A promessa disseminada por influenciadores é a de que a vasodilatação provocada pelo remédio melhoraria o “pump” (o inchaço muscular) e a vascularização durante o exercício.

​No entanto, médicos alertam que esse efeito é meramente visual e não resulta em ganho real de força ou hipertrofia. Pelo contrário, ao dilatar os vasos sanguíneos de forma artificial durante uma atividade física intensa, o usuário sobrecarrega o sistema cardiovascular. Em 2025 e início de 2026, registraram-se casos de síncope (desmaio), arritmias graves e até episódios de infarto do miocárdio em jovens sem histórico de doenças cardíacas que utilizaram a substância sem orientação.

​A “bengala psicológica” e a dependência

​Outro ponto crítico levantado por urologistas é a dependência psicológica. Jovens de 18 a 30 anos, sem qualquer diagnóstico de impotência orgânica, utilizam o medicamento para compensar a ansiedade de desempenho.

​”O indivíduo passa a acreditar que só é capaz de ter uma ereção satisfatória se estiver sob efeito da droga. Isso cria um ciclo vicioso onde a autoconfiança é substituída por uma ‘bengala química'”, explica o Dr. Daniel Zylbersztejn, urologista.

​Com o tempo, essa prática pode causar uma disfunção erétil psicogênica real, onde o cérebro deixa de responder aos estímulos naturais sem a presença do composto.

​Principais riscos e interações perigosas

​A Anvisa intensificou a fiscalização sobre formulações irregulares, como os “gummies” (balas de goma) de tadalafila, proibindo diversos produtos em maio de 2025. Os riscos do uso sem receita incluem:

  • Hipotensão Grave: Queda brusca da pressão arterial, especialmente se combinada com álcool ou medicamentos que contenham nitratos.
  • Priapismo: Ereções dolorosas com duração superior a 4 horas, que podem causar danos permanentes e irreversíveis aos tecidos do pênis.
  • Alterações Sensoriais: Perda súbita de audição ou visão devido ao impacto na circulação de pequenos vasos.
  • Sobrecarga Cardíaca: Taquicardia e palpitações que, em ambientes de calor e desidratação (comuns em festas e academias), aumentam o risco de morte súbita.

​Especialistas são unânimes: a saúde sexual e física não admite atalhos. Antes de ingerir qualquer substância que altere o fluxo sanguíneo, a avaliação médica é indispensável para descartar condições cardíacas silenciosas.

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