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Estudo da Nature e ETH Zurique revela que células de gordura possuem memória e dificultam manutenção do peso

Estudo da Nature e ETH Zurique revela que células de gordura possuem memória e dificultam manutenção do peso

Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique, liderados pelo biólogo Ferdinand von Meyenn, publicaram recentemente na revista científica Nature uma descoberta que altera a compreensão sobre o efeito sanfona. O estudo demonstra que o tecido adiposo retém uma espécie de “memória biológica” da obesidade, o que explica por que o organismo “luta” para recuperar o peso perdido logo após o término de dietas restritivas.

​A “memória” nas células de gordura

​A investigação revelou que as células de gordura (adipócitos) de pessoas que tiveram obesidade apresentam alterações epigenéticas — mudanças químicas que não alteram o DNA, mas ditam como os genes devem funcionar. Mesmo após uma perda de peso significativa, essas células mantêm um padrão de funcionamento voltado para o armazenamento eficiente de nutrientes.

​”As células adiposas lembram-se do estado de excesso de peso e podem retornar a esse estado mais facilmente”, explicou von Meyenn em nota à imprensa.

​O impacto no metabolismo

​Diferente da crença popular de que o efeito sanfona seria apenas uma falha de “força de vontade”, a ciência agora comprova que o corpo opera em um estado de alerta. Entre as principais descobertas complementares de 2024 e 2025, destacam-se:

  • Resistência Metabólica: O tecido adiposo “treinado” pela obesidade reage de forma mais agressiva a novos consumos calóricos, estocando gordura com maior velocidade.
  • Papel do Cérebro: O estudo sugere que essa memória não está apenas na gordura, mas também pode residir em neurônios do hipotálamo, que controlam a fome e o gasto energético.
  • Gordura Marrom: Pesquisas paralelas da Unicamp (2026) indicam que a oscilação constante de peso pode reduzir a atividade da gordura marrom, responsável pela queima de calorias para gerar calor, tornando o metabolismo mais lento a longo prazo.

​Benefícios de persistir na tentativa

​Apesar das dificuldades impostas pela memória celular, especialistas reforçam que tentar emagrecer é melhor do que desistir. Um levantamento publicado no American Journal of Clinical Nutrition indica que, embora o peso oscile, os períodos de menor peso corporal ajudam a reduzir temporariamente a inflamação sistêmica e a sobrecarga cardiovascular, oferecendo “janelas de descanso” para o coração e as artérias.

Para combater esse mecanismo biológico, a recomendação atual da comunidade médica é focar em manutenção prolongada. Acredita-se que, ao manter o peso reduzido por vários anos, o organismo possa eventualmente “resetar” essas marcas epigenéticas, embora o tempo exato para esse processo ainda esteja sob investigação.

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