Um segurança terceirizado da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana, foi indiciado pelo crime de roubo após ser filmado presenciando um assalto violento sem esboçar qualquer reação para ajudar a vítima ou deter o criminoso. O caso, que ganhou repercussão nesta semana após a divulgação das imagens de monitoramento, está sendo conduzido pelo delegado André Garcia, da 17ª Subdivisão Policial (SDP).
O crime e a omissão
O assalto ocorreu no dia 4 de fevereiro, no estacionamento de motos da universidade. As imagens mostram o momento em que um jovem de 21 anos aborda a vítima — que havia ido ao local para vender um iPhone após uma negociação por rede social — e aplica um golpe de “mata-leão”. Enquanto a vítima era enforcada e agredida, o vigilante, de 43 anos, aparece nas imagens observando toda a cena a poucos metros de distância, mantendo as mãos nos bolsos e sem intervir.
De acordo com as investigações, o segurança não apenas deixou de agir, como também não acionou a Polícia Militar ou reforços internos. Segundo o delegado André Garcia, a conduta do funcionário configura uma omissão relevante, uma vez que ele possuía o dever legal de garantir a segurança no local. “Ele assiste à vítima sendo agredida e nada faz. Essa omissão se soma à ação do criminoso e, juridicamente, ambos respondem pelo resultado do roubo”, explicou a autoridade policial.
Desdobramentos e prisões
O autor direto do assalto, que já possuía passagens pela polícia, foi identificado e preso na última sexta-feira (6). Com a prisão dele e a análise detalhada das câmeras, a Polícia Civil decidiu pelo indiciamento do segurança. Além da questão criminal, relatos indicam que o vigilante teria debochado da vítima após o ocorrido, o que agravou a percepção de negligência.
Posicionamento da Unespar
Em nota oficial, a Unespar informou que, assim que tomou conhecimento dos fatos, solicitou à empresa terceirizada responsável pela vigilância o afastamento imediato do funcionário. A instituição reiterou seu compromisso com a segurança da comunidade acadêmica e afirmou estar colaborando plenamente com as investigações da Polícia Civil para o esclarecimento total do episódio.
O inquérito agora segue para o Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça. O segurança poderá responder pelo artigo 157 do Código Penal (roubo), devido à sua posição de garantidor, cuja inércia contribuiu para a consumação do delito.




