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Lula e Ratinho Junior travam queda de braço por autoria de concessão no Porto de Paranaguá

Lula e Ratinho Junior travam queda de braço por autoria de concessão no Porto de Paranaguá

​O que deveria ser um ato administrativo de celebração de contrato transformou-se em um embate político direto entre o Palácio do Planalto e o Palácio Iguaçu. A assinatura da concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, o primeiro projeto deste tipo no Brasil a ser entregue à iniciativa privada, virou o centro de uma disputa de “paternidade” entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador do Paraná, Ratinho Junior.

​A cerimônia, originalmente organizada pelo Governo do Paraná para ocorrer na última quarta-feira (11), no litoral do estado, foi cancelada abruptamente. O motivo, segundo bastidores políticos, foi uma intervenção direta da cúpula do governo federal. A articulação, atribuída à deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, visou transferir o protagonismo do evento para Brasília, garantindo que a foto oficial ocorra ao lado do presidente Lula.

A transferência para o Planalto

Com o cancelamento no Paraná, o Palácio do Planalto reagendou o evento para esta quinta-feira (12), às 11h, no Salão Oeste. Para “encorpar” a agenda e justificar a centralização em Brasília, o governo federal incluiu no pacote o anúncio de outras obras no estado, como o Contorno Sul de Maringá e a Estrada Boiadeira.

​Em resposta ao que foi lido como uma tentativa de “ofuscar” a gestão estadual, o governador Ratinho Junior sinalizou que não deve comparecer à cerimônia na capital federal. O clima de tensão reflete a importância estratégica do porto e o potencial eleitoral de uma obra que promete transformar a logística do Sul do país.

O que está em jogo no Porto de Paranaguá

Apesar da disputa política, o contrato representa um avanço histórico para a infraestrutura portuária brasileira. O Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD), vencedor do leilão realizado na B3 em outubro de 2025, assumirá a gestão do canal por 25 anos.

  • Investimentos: Estão previstos R$ 1,2 bilhão em investimentos nos primeiros cinco anos.
  • Calado: A profundidade do canal (Canal da Galheta) será aumentada para 15,5 metros.
  • Impacto: O aprofundamento permitirá que navios de grande porte, que hoje não conseguem atracar em Paranaguá, operem no terminal, aumentando a capacidade de movimentação em cerca de 35% e reduzindo custos logísticos.

​A concessão de Paranaguá é tratada pelo Ministério de Portos e Aeroportos como um “projeto-piloto”, que servirá de modelo para futuras licitações de canais de acesso em outros portos públicos, como Santos (SP) e Itajaí (SC). Enquanto Brasília e Curitiba disputam os holofotes, o setor produtivo aguarda o início imediato das obras para destravar um dos principais gargalos do escoamento da safra nacional.

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