Itamaraty e enviado de Trump travam embate diplomático após decisão de Moraes
O governo brasileiro elevou o tom na última semana em um episódio que mistura diplomacia, segurança institucional e o sistema prisional. Darren Beattie, assessor sênior do governo de Donald Trump voltado para políticas relacionadas ao Brasil, teve seu visto revogado pelo Itamaraty na última sexta-feira (13), após uma sequência de atritos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O impasse começou quando a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido na Penitenciária da Papuda, solicitou autorização para que Beattie realizasse uma visita ao ex-mandatário no dia 17 de março. Ao analisar o pedido, o ministro Alexandre de Moraes questionou o Ministério das Relações Exteriores sobre a natureza da visita, buscando entender se o enviado americano possuía uma agenda oficial com o governo brasileiro ou se a viagem tinha caráter exclusivamente privado.
A reação do governo e a “ingerência externa”
Em resposta ao STF, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente preso, especialmente em um ano eleitoral, poderia configurar uma “indevida ingerência” nos assuntos internos do Brasil. O Itamaraty destacou que a Embaixada dos EUA tentou agendar reuniões de última hora com o Secretário de Europa e América do Norte apenas após a cobrança de Moraes, o que foi interpretado por Brasília como uma tentativa de “legitimar” a viagem a posteriori.
Diante do parecer técnico do Itamaraty, Moraes recuou de uma sinalização anterior e indeferiu a visita, alegando falta de previsão legal para alterações excepcionais nos horários de visitação do presídio e a ausência de compromissos institucionais pré-agendados que justificassem a urgência.
Atualizações e desdobramentos
As informações mais recentes indicam que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva optou pela medida drástica de revogar o visto de Beattie. Segundo fontes diplomáticas e notas oficiais:
- Revogação por “má-fé”: O governo brasileiro argumenta que houve omissão de informações no pedido original de visto, uma vez que o interesse de Beattie em visitar Bolsonaro não constava nos documentos iniciais apresentados ao Consulado-Geral.
- Reciprocidade e tensões: O presidente Lula vinculou publicamente a restrição ao tratamento recebido por autoridades brasileiras nos EUA, mencionando casos de vistos negados a assessores do governo brasileiro.
- Histórico de críticas: Darren Beattie é conhecido por ser um crítico ferrenho de Alexandre de Moraes, tendo classificado o ministro anteriormente como o “coração da perseguição” a setores da direita brasileira.
O episódio marca um novo capítulo de desgaste nas relações bilaterais entre Brasília e a ala mais próxima a Donald Trump, no momento em que Washington e o Brasil divergem sobre temas de soberania judiciária e o papel das redes sociais no processo democrático.

































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