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Meta, TikTok e X sob fogo cruzado após denúncias de que algoritmos priorizam indignação em detrimento da segurança

Meta, TikTok e X sob fogo cruzado após denúncias de que algoritmos priorizam indignação em detrimento da segurança

Gigantes das redes sociais estão no centro de uma nova crise de imagem e regulação. Ex-funcionários e denunciantes revelaram à BBC que empresas como Meta (dona do Facebook e Instagram) e TikTok permitiram a disseminação de conteúdos nocivos em seus feeds, mesmo cientes de que seus algoritmos priorizavam a indignação para manter o engajamento dos usuários. Segundo os relatos, a busca por lucros e atenção superou protocolos de segurança essenciais para combater a violência, a chantagem sexual e até o terrorismo.

​As revelações indicam que as pesquisas internas dessas companhias já haviam detectado que publicações que geram raiva ou medo têm maior alcance. Em vez de mitigar esses riscos, as plataformas teriam optado por manter o sistema em funcionamento para não prejudicar as métricas de retenção. Um dos casos citados envolve o lançamento do Instagram Reels, que, segundo o ex-funcionário Matt Motyl, chegou ao público sem proteções suficientes contra conteúdos de ódio.

O cenário no Brasil: STF e Ministério da Justiça apertam o cerco

​As novidades sobre o tema ganharam força no Brasil com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em junho de 2025, a Corte estabeleceu um marco decisivo para a responsabilização das “Big Techs”. O entendimento atual é de que as plataformas podem ser corresponsáveis por conteúdos criminosos se não agirem rapidamente após denúncias, alterando a lógica anterior do Marco Civil da Internet.

​Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) notificou o TikTok em março de 2026, exigindo explicações sobre tendências (trends) que incentivam a violência contra a mulher. A pasta deu um prazo de cinco dias para que a empresa detalhasse como seus sistemas automatizados detectam e removem conteúdos misóginos e como o algoritmo de recomendação é controlado para evitar a viralização de crimes.

Impactos na saúde mental e segurança pública

​Especialistas e órgãos internacionais, como a Unesco, alertam que a desinformação e o conteúdo tóxico são os principais riscos globais para os próximos anos. O modelo de negócio, descrito pelo ministro Alexandre de Moraes como “perverso”, transforma o ódio em um ativo financeiro: quanto mais tempo o usuário permanece indignado, mais anúncios consome e mais dados gera para as empresas.

​No campo da saúde mental, estudos publicados em 2024 e 2025 reforçam a conexão entre o uso excessivo dessas redes e o aumento de casos de ansiedade, depressão e radicalização de jovens. Relatos colhidos pela investigação da BBC mostram usuários que se sentiram “radicalizados pelo algoritmo” desde a adolescência, sendo expostos a visões extremistas que alimentavam uma sensação constante de raiva e dessensibilização à violência real.

​As empresas, por sua vez, defendem-se afirmando que investem bilhões de dólares em segurança e moderação de conteúdo. Entretanto, a pressão por regulamentações mais rígidas — como o PL das Fake News e normas globais da União Europeia — continua a crescer, sinalizando que a era da autorregulação das redes sociais pode estar chegando ao fim.

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