Copom e Fed decidem juros sob sombra de petróleo a US$ 100 e guerra no Irã
Escalada no Oriente Médio aumenta incertezas globais e faz mercado financeiro rever apostas para a Super Quarta; Banco Central do Brasil pode ser mais conservador com a Selic em 15%, enquanto Federal Reserve deve manter taxas nos EUA.
Nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, o cenário econômico global está sob forte tensão. O que antes era esperado como um dia de definições previsíveis — a chamada “Super Quarta” — transformou-se em um momento de profunda cautela para o Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, e para o Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos. O motivo central é a súbita escalada militar no Oriente Médio, que envolve ataques diretos entre Israel, Estados Unidos e o Irã, elevando o preço do petróleo Brent para patamares superiores a US$ 100 o barril.
Brasil: De cortes esperados à manutenção da Selic
No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil enfrenta um dilema. Até poucas semanas atrás, a maior parte dos analistas projetava um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. No entanto, o choque de oferta no mercado de energia mudou o jogo.
Com o petróleo operando em alta — chegando a tocar os US$ 106 nesta manhã — o risco de contaminação da inflação (IPCA) aumentou drasticamente. Segundo dados da B3, as apostas em uma redução de 0,50 ponto caíram para apenas 23%. Agora, a maioria do mercado (53%) espera um corte mais tímido, de 0,25 ponto, elevando a Selic para 14,75%. Contudo, um grupo crescente de economistas, cerca de 24%, já defende a manutenção da taxa em 15%, argumentando que o BC não deve arriscar a convergência da inflação para a meta de 3% diante de um cenário externo tão volátil.
EUA: Fed deve seguir em compasso de espera
Em Washington, a situação não é diferente. O Federal Reserve deve manter os juros norte-americanos no intervalo atual de 3,50% a 3,75%. Embora o mercado de trabalho nos EUA tenha dado sinais de moderação, a pressão inflacionária vinda dos combustíveis e das cadeias de suprimentos afetadas pelo fechamento parcial do Estreito de Ormuz obriga Jerome Powell a adotar um tom conservador.
A expectativa é que o Fed sinalize que novos cortes de juros só ocorrerão quando houver “confiança plena” de que a inflação está sob controle. Analistas apontam que, em um ano eleitoral pressionado por Donald Trump, a autoridade monetária buscará se manter técnica, evitando movimentos bruscos que possam desestabilizar o dólar, que hoje opera próximo a R$ 5,20.
O fator petróleo e a geopolítica
O conflito no Oriente Médio é o fiel da balança. O fechamento de rotas marítimas vitais e os bombardeios em infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico geram um “imposto inflacionário” global. Para os bancos centrais, o risco é de uma “estagflação”: economia estagnada com preços em alta.
”O petróleo virou a principal variável de risco. Ele sintetiza tanto o conflito geopolítico quanto a pressão direta nos custos de transporte e produção”, afirma o mercado financeiro em relatórios matinais.
As decisões oficiais serão divulgadas a partir das 15h (horário de Brasília) pelo Fed e, após o fechamento do mercado, pelo Copom. Investidores aguardam não apenas os números, mas os comunicados que ditarão o ritmo da economia para o próximo trimestre.

































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