O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu com veemência nesta quarta-feira (18) às declarações recentes de Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL). Em pronunciamento no plenário, Alcolumbre desmentiu a existência de qualquer negociação que envolvesse o engavetamento da CPI do Banco Master em troca da votação de projetos de interesse da oposição, como o da dosimetria penal.
O embate público escalou após Valdemar afirmar, em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, que Alcolumbre teria condicionado a análise de vetos presidenciais — especificamente o que trata da redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro — à suspensão da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Banco Master.
Reação no plenário
Visivelmente irritado, o presidente do Senado afirmou ter ficado “estarrecido” com as falas do dirigente partidário. “Absolutamente nunca tratei com Valdemar Costa Neto em relação a este assunto da sessão do Congresso, da votação dos vetos da dosimetria ou sobre CPI do Banco Master”, declarou Alcolumbre.
Indo além das negativas técnicas, o senador utilizou termos médicos para desqualificar as afirmações de Valdemar. “Isso é uma doença. Se chama mitomania quem mente reiteradamente. Como não sou médico, não quero fazer consulta pública a Valdemar”, disparou o parlamentar, referindo-se ao transtorno psicológico em que o indivíduo tem uma compulsão por mentir.
O impasse da CPI e a “dosimetria”
A polêmica central gira em torno de duas pautas sensíveis no Congresso:
- CPI do Banco Master: A oposição e alguns setores independentes pressionam pela investigação de operações financeiras e conexões políticas da instituição. Valdemar sugeriu que a CPI “atinge meio mundo” e que, por isso, haveria um esforço da cúpula do Senado para barrá-la.
- PL da Dosimetria: O projeto visa alterar critérios de aplicação de penas, o que poderia beneficiar os presos pelos ataques às sedes dos Três Poderes. É uma das principais bandeiras do PL e de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto Valdemar sustenta que houve uma proposta de “troca”, Alcolumbre assegura que as decisões sobre a pauta do Congresso seguem ritos institucionais e não acordos de bastidores com dirigentes partidários que sequer possuem mandato.
Cenário político
O clima entre o comando do Senado e o PL, que já era de desconfiança devido à tramitação do projeto de anistia, atingiu seu ponto mais baixo. Interlocutores de Alcolumbre afirmam que ele não aceitará ser pressionado por “ameaças ou invenções”. Por outro lado, o PL sinaliza que pode recorrer à obstrução total das votações caso suas pautas prioritárias continuem paralisadas na gaveta da presidência.
A crise ocorre em um momento estratégico, com a proximidade de decisões importantes sobre o orçamento e a sucessão nas casas legislativas, elevando a temperatura política em Brasília.




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