Em agenda oficial realizada nesta sexta-feira (20), em Betim (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a intenção estratégica do governo federal de recomprar a Refinaria de Mataripe (antiga Landulpho Alves – RLAM), localizada na Bahia. A unidade foi vendida ao fundo árabe Mubadala Capital em 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro, por US$ 1,65 bilhão.
Ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Lula utilizou o palanque na Refinaria Gabriel Passos (Regap) para criticar a política de privatizações do governo anterior.
”Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar de volta. Pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar”, declarou o presidente.
Investimentos bilionários na Regap e segurança energética
O evento em Minas Gerais não foi marcado apenas por declarações políticas, mas também pelo anúncio de um robusto pacote de investimentos para a Regap:
- Aporte de R$ 9 bilhões: A Petrobras planeja investir este montante nos próximos dez anos em Minas Gerais.
- Aumento de Capacidade: A meta é elevar o processamento da Regap de 170 mil para 240 mil barris por dia, um aumento de quase 50%.
- Geração de Empregos: Estima-se a criação de cerca de 8 mil postos de trabalho no curto prazo, podendo chegar a 36 mil ao longo de uma década.
- Combustíveis Verdes: A unidade iniciará a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e Diesel R (com conteúdo renovável).
Contexto de crise internacional e estoques reguladores
O discurso ocorre em um momento de forte volatilidade no mercado de energia. Lula mencionou a preocupação com o impacto da Guerra no Irã e as tensões no Estreito de Ormuz sobre o preço dos combustíveis no Brasil.
Como solução a longo prazo, o presidente defendeu que a Petrobras e o governo trabalhem na criação de um estoque regulador de petróleo e derivados. Segundo ele, essa reserva funcionaria como as reservas cambiais do país, garantindo soberania e proteção contra especulações de mercado e crises externas.
As negociações entre a Petrobras e o fundo Mubadala têm avançado nos últimos meses, embora ainda existam discussões sobre o “preço justo” do ativo e o modelo de governança, que pode envolver uma participação societária conjunta inicialmente.




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