A Polícia Federal (PF) prendeu, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o contador Washington Travassos de Azevedo. A prisão, ocorrida no último dia 13 de março, faz parte de um desdobramento das investigações sobre o acesso ilegal e a comercialização de dados fiscais sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares.
Segundo as investigações, o esquema teria violado o sigilo de 1.819 contribuintes, incluindo figuras de alta relevância pública, como ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados e empresários.
Detalhes da investigação e confissão
O caso, que corre sob sigilo de justiça dentro do chamado “Inquérito das Fake News”, ganhou tração após auditorias da Receita Federal identificarem acessos sem justificativa funcional nos sistemas do órgão.
- Confissão: Em depoimento à PF, o contador teria confessado a obtenção ilegal dos dados fiscais.
- Modus Operandi: A investigação aponta para uma estrutura organizada que utilizava senhas de servidores e técnicos para extrair declarações de Imposto de Renda.
- Destino dos dados: O suspeito indicou às autoridades o destino das informações, o que deve gerar novas fases da operação, batizada anteriormente de Dataleaks.
Defesa critica falta de acesso aos autos
O advogado de Washington Travassos de Azevedo tem questionado publicamente a manutenção da prisão e o que classifica como violação de prerrogativas. Segundo a defesa, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes não teria liberado o acesso integral à decisão que fundamentou a prisão preventiva, impedindo o pleno exercício do direito de defesa.
”Já se vão quase três semanas sem que os meus requerimentos fossem sequer apreciados. O caso é grave. As violações de prerrogativas são muitas”, afirmou o advogado em declarações à imprensa.
Contexto institucional
A ofensiva do STF ocorre em um momento de tensão entre o Judiciário e órgãos de controle. A Receita Federal emitiu nota afirmando que não tolera desvios e que seus sistemas são totalmente auditáveis, o que permitiu a detecção dos acessos indevidos. Além do contador, servidores do Serpro e da própria Receita estão sob a lupa dos investigadores.
O ministro Moraes sustenta que a medida é necessária para garantir a ordem pública e impedir que a organização criminosa continue manipulando ou vendendo informações sensíveis de autoridades do Estado.




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