PGR defende prisão domiciliar para Bolsonaro após agravamento de quadro de saúde

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou, nesta segunda-feira (23 de março de 2026), um parecer favorável à transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o regime de prisão domiciliar. O documento, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, baseia-se em critérios humanitários devido ao estado de saúde do ex-presidente, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o dia 13 de março.


​Detalhes do parecer e estado clínico


​Bolsonaro, atualmente com 71 anos, cumpre pena de 27 anos e três meses no complexo da Papudinha, em Brasília, por tentativa de golpe de Estado. Sua internação no Hospital DF Star ocorreu após um episódio de mal-estar súbito na cela, diagnosticado posteriormente como broncopneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração.


​No parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet argumentou que:



  • ​A evolução clínica “recomenda a flexibilização do regime”.

  • ​O ambiente prisional é incompatível com a necessidade de vigilância contínua e cuidados que o quadro de “multimorbidades graves” exige.

  • ​O Estado tem o dever de preservar a integridade física de custodiados em situações de risco iminente.


​Histórico e próximos passos


​A manifestação da PGR marca uma mudança de postura, já que, no início de março, o órgão havia se posicionado contra pedidos semelhantes. A mudança ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes solicitar uma análise detalhada dos laudos médicos enviados pelo hospital.


​A decisão final agora cabe exclusivamente ao ministro Alexandre de Moraes. Embora o parecer da PGR tenha peso jurídico, o magistrado pode manter a prisão preventiva no regime fechado ou determinar novas perícias médicas antes de proferir a sentença. Vale lembrar que Bolsonaro foi transferido para o regime fechado em novembro de 2025, após um incidente envolvendo a violação de sua tornozeleira eletrônica.



​”A manutenção do regime fechado exacerba a vulnerabilidade do ex-presidente […] o ambiente familiar é o único apto a propiciar a atenção constante necessária”, afirmou a PGR no documento.



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