O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) tornou-se palco de um grave episódio de injúria racial na última semana. Durante a transmissão ao vivo do programa “Paraná Lilás”, iniciativa voltada ao debate sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres, o juiz e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Fábio Francisco Esteves, e a juíza auxiliar do Supremo Tribunal Federal (STF), Franciele Pereira do Nascimento, foram alvos de ataques criminosos proferidos no chat da plataforma.
Entre as ofensas registradas, um dos comentários investigados utilizou termos degradantes para se referir a um dos magistrados, afirmando que ele teria “saído da churrasqueira”, em uma clara alusão discriminatória à cor de sua pele. O caso gerou indignação imediata nas cúpulas do Poder Judiciário brasileiro.
Desdobramentos e investigação
Nesta segunda-feira (23), a presidente do TJ-PR, desembargadora Lidia Maejima, pronunciou-se oficialmente durante a sessão do Tribunal Pleno. Em um discurso contundente, a magistrada classificou os ataques como uma “afronta que exige resposta clara” e garantiu que a instituição não será conivente com atos de ódio.
As providências legais já estão em curso:
- Identificação dos autores: A Justiça já solicitou a quebra de sigilo de dados para identificar os responsáveis pelas mensagens.
- Ação policial: Diligências foram iniciadas junto à autoridade policial da comarca de Loanda (PR).
- Apoio Institucional: O STF e o CNJ emitiram notas conjuntas de repúdio, reiterando que o racismo é um crime imprescritível e inafiançável.
Compromisso com a igualdade
O episódio ocorreu justamente em um ambiente institucional dedicado ao fortalecimento das políticas de direitos humanos. Para as entidades representativas, como a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Amapar, o ataque não atinge apenas os indivíduos, mas a própria magistratura e os valores democráticos da Constituição de 1988.
As investigações prosseguem sob sigilo para garantir a responsabilização criminal dos envolvidos, enquanto o Judiciário reforça a vigilância contra o racismo estrutural em seus canais de comunicação oficial.




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