Curitiba, Paraná – Em um movimento que redefine o tabuleiro político paranaense para as eleições de 2026, o senador Sergio Moro oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24). A manobra, articulada em Brasília, consolidou Moro como pré-candidato ao Governo do Paraná e selou um acordo para as duas vagas ao Senado: o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) foram os nomes ungidos para a disputa, deixando a jornalista Cristina Graeml sem o apoio direto do grupo para o cargo.
O evento, carregado de simbolismo, ocorreu em um auditório próximo ao Posto da Torre, marco zero da Operação Lava Jato. Além de Moro, a deputada federal Rosângela Moro também migrou para o PL. A estratégia da legenda, sob as bênçãos de Valdemar Costa Neto e com afagos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é criar uma “chapa temática” da Lava Jato para enfrentar o grupo do atual governador Ratinho Júnior (PSD), que desistiu da corrida presidencial para concluir o mandato no estado.
O isolamento de Cristina Graeml
A decisão de privilegiar Filipe Barros e Deltan Dallagnol representa um revés para as pretensões de Cristina Graeml. Após surpreender nas eleições municipais de 2024 em Curitiba, quando chegou ao segundo turno pelo PMB, a jornalista havia se filiado ao União Brasil com o apoio inicial de Moro. No entanto, com a mudança do senador para o PL e a necessidade de acomodar aliados estratégicos da direita nacional, Graeml viu seu espaço ser reduzido.
Interlocutores do PL afirmam que a intenção agora é atrair a jornalista para a sigla, mas com o objetivo de lançá-la como “puxadora de votos” para a Câmara dos Deputados, e não mais para o Senado. Em nota recente, Cristina reafirmou que sua decisão de disputar a câmara alta é “firme e irreversível”, o que indica uma possível colisão de interesses dentro do campo conservador.
Alianças e estratégia para 2026
A nova configuração política do Paraná apresenta os seguintes pontos centrais:
- Governo do Estado: Sergio Moro (PL) assume a dianteira como o nome da oposição ao grupo de Ratinho Júnior.
- Senado (Vaga 1): Filipe Barros, braço direito de Jair Bolsonaro no Paraná, garante a vaga oficial do PL.
- Senado (Vaga 2): Deltan Dallagnol, mesmo filiado ao partido Novo, terá o apoio do PL na composição da chapa majoritária.
- Palanque Nacional: O grupo declarou apoio à provável candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, reforçando a unidade do bloco contra o governo Lula.
Com a desistência de Ratinho Júnior de disputar o Planalto, o cenário estadual torna-se ainda mais acirrado, já que o governador agora focará em eleger um sucessor próprio para barrar o avanço de Moro no Palácio Iguaçu. Enquanto isso, a “rifa” de Cristina Graeml expõe as tensões internas de uma direita que busca unidade, mas esbarra em projetos personalistas e na limitada oferta de vagas majoritárias.




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