Nova fase da Operação Carbono Oculto mira ex-sócio do Banco Genial e executivo ligado ao Banco Master
SÃO PAULO E BRASÍLIA — O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), e a Receita Federal deflagraram a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação cumpre 29 mandados de busca e apreensão em sete estados contra alvos investigados por um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com movimentações atípicas que alcançam R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Entre os principais alvos das diligências estão:
- Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo e sócio do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá;
- Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos (Grupo Entre) e empresário ligado a Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master.
Os mandados estão sendo cumpridos em endereços residenciais e comerciais ligados a 24 empresas e 13 pessoas físicas espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás. A operação conta com o apoio das Secretarias de Fazenda estaduais, da Procuradoria-Geral do Estado, além das Polícias Militar e Civil.
O esquema e o setor de combustíveis
As investigações apontam que o grupo utilizou fintechs, fundos de fachada e sobreposição de estruturas corporativas para ocultar os reais proprietários e o controle de distribuidoras de combustíveis, como a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda. (Terrana).
Segundo o MP-SP, a manobra buscava dissimular a origem de recursos e fragmentar fluxos financeiros de uma grande sucroalcooleira do interior paulista. Um dos focos da investigação é a negociação atípica de cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios e ações judiciais vinculadas à Terrana.
Durante coletiva, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, classificou a Entre Investimentos como uma “entidade-chave da lavanderia do sistema financeiro nacional”, destacando a dimensão bilionária do prejuízo e das fraudes sob apuração.
Desdobramentos e conexões políticas
O nome de Antonio Carlos Freixo Junior (“Mineiro”) também ganhou destaque recente em investigações federais. Em acordo de delação premiada fechado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário afirmou ter movimentado recursos no exterior para o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando ter agido a mando de Daniel Vorcaro.
O outro lado
- Banco Genial: Em nota oficial, a instituição financeira informou que Humberto Tupinambá foi destituído de suas funções no banco em maio deste ano. O banco reforçou que vem colaborando integralmente com as autoridades, fornecendo informações ao Gaeco, e que implementou medidas rigorosas de governança interna e revisão de suas operações de crédito.
- Entre Investimentos: A reportagem tentou contato com a empresa e com os representantes de Antonio Carlos Freixo Junior, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
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