Renato Cariani nega envolvimento com tráfico após MP-SP pedir sua condenação
O influenciador fitness e empresário Renato Cariani manifestou-se publicamente para reafirmar sua inocência após o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) protocolar o pedido de sua condenação pelos crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A apuração policial aponta que a empresa de insumos químicos Anidrol Produtos para Laboratórios Ltda., da qual Cariani era sócio em Diadema (SP), teria sido utilizada para o desvio sistemático de insumos farmacêuticos destinados ao refino de cocaína e crack entre os anos de 2016 e 2020.
Em posicionamento divulgado em seus canais digitais, o influenciador sustentou que a empresa da qual fazia parte foi vítima de uma fraude perpetrada por terceiros. “Não é um processo novo. Fui sócio de uma indústria química e essa indústria foi vítima de uma fraude, tornando-se objeto de processo justamente por eu ser um dos proprietários”, declarou Cariani. Ele ressaltou que a manifestação do Ministério Público representa a etapa natural de acusação do processo e reiterou sua confiança no trabalho da equipe de defesa para comprovar sua inocência na Justiça.
Os advogados encarregados da defesa, Aldo Romani Netto e José Eduardo Martins Cardozo, informaram que a ação criminal encontra-se na fase de alegações finais defensivas. A equipe jurídica sustentou que rebatendo pontualmente cada tese do órgão acusador demonstrará a improcedência das alegações. Após o encerramento dessa etapa, os autos seguirão para julgamento pela Justiça paulista, sem prazo predeterminado para a prolação da sentença.
Entenda as investigações e a dinâmica do esquema
As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam que o esquema envolvia a simulação de vendas para grandes empresas farmacêuticas, com destaque para a criação de operações fictícias em nome da multinacional AstraZeneca. O alarme sobre as irregularidades foi dado inicialmente pela Receita Federal, após a identificação de um depósito em espécie de R$ 212 mil atribuído à farmacêutica. Questionada pelas autoridades, a empresa negou qualquer relação comercial com a Anidrol ou a realização dos repasses financeiros.
Conforme o inquérito policial:
- Volume desviado: Estima-se o desvio de aproximadamente 12 toneladas de insumos — incluindo éter etílico, acetona, ácido clorídrico, manitol, fenacetina e cloridrato de lidocaína —, utilizados no processo de transformação da pasta base em cocaína e crack.
- Movimentação financeira: O desvio de insumos químicos teria gerado um faturamento ilícito superior a R$ 6 milhões.
- Falso representante: As análises telemáticas revelaram a falsificação de um domínio na internet sob o nome da AstraZeneca por parte de Fábio Spínola Mota, apontado como intermediário ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), para simular e-mails e contatos corporativos.
O Ministério Público solicitou a condenação de Renato Cariani e de Fábio Spínola Mota. Em contrapartida, o órgão acusador pediu a absolvição de Roseli Dorth, ex-sócia da empresa de produtos químicos. A defesa de Mota alega que o cliente é inocente e argumenta que os depoimentos e provas reunidos durante a instrução criminal desmoronam as acusações contidas na denúncia. O processo segue aguardando a manifestação final do Judiciário.
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