Coi veta participação de mulheres trans em categorias femininas a partir de 2028

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou, nesta quinta-feira (26 de março de 2026), uma mudança histórica em suas políticas de elegibilidade. Sob a liderança da presidente Kirsty Coventry, a entidade decidiu que a participação em categorias femininas nos Jogos Olímpicos será restrita a “mulheres biológicas”, estabelecendo o fim da participação de mulheres trans nessas competições oficiais.

​A nova diretriz, que entrará em vigor a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, baseia-se na implementação de testes genéticos obrigatórios para detectar a presença do gene SRY (relacionado ao desenvolvimento masculino). Segundo o comunicado oficial do COI, a medida visa garantir a “justiça, segurança e integridade” das competições femininas, após um período de 18 meses de consultas com especialistas em medicina esportiva, endocrinologia e ética.

Impacto e Critérios

Diferente das normas anteriores, que focavam nos níveis de supressão de testosterona, a nova regra adota um critério biológico definitivo. Atletas que testarem positivo para o gene SRY não poderão competir na categoria feminina, mas seguem elegíveis para as categorias masculinas, mistas ou “abertas”, dependendo da modalidade.

​A presidente Kirsty Coventry destacou que, em esportes de alto rendimento, “as menores margens podem ser a diferença entre a vitória e a derrota”, e que a vantagem física inerente ao sexo biológico masculino não seria justa para as competidoras biológicas. Coventry, que assumiu a presidência do COI em 2025, colocou a “proteção da categoria feminina” como uma de suas prioridades de gestão.

Contexto Político e Reações

A decisão do COI ocorre em um cenário de forte pressão internacional. Nos Estados Unidos, sede das próximas Olimpíadas de verão, o governo de Donald Trump já havia sinalizado restrições semelhantes através da ordem “Keeping Men Out of Women’s Sports” (Mantendo Homens Fora dos Esportes Femininos), assinada em fevereiro de 2025.

​Embora celebrada por diversas federações esportivas e atletas que defendem a exclusividade biológica nas categorias femininas, a medida enfrenta duras críticas de organizações de direitos humanos e coletivos LGBTQIA+. Grupos como a Sport & Rights Alliance classificaram a decisão como um “retrocesso científico e social”, argumentando que a exclusão reforça estigmas e ignora a diversidade do desenvolvimento humano.

Exceções e Casos Notáveis

O COI esclareceu que a regra não é retroativa, o que preserva os resultados de edições passadas, como a participação da halterofilista Laurel Hubbard em Tóquio-2020. Além disso, foram previstas exceções para casos raros de Diferenças de Desenvolvimento Sexual (DSD), como a Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa, onde não há vantagem competitiva comprovada.

​A entidade máxima do esporte agora orienta que todas as federações internacionais e comitês olímpicos nacionais alinhem seus regulamentos à nova política global até o início do ciclo olímpico de 2028.

Deixe um comentário

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.