A política paranaense vive um momento de reconfiguração drástica após o governador Ratinho Júnior (PSD) anunciar oficialmente sua desistência da corrida à Presidência da República em 2026. A decisão, que pegou aliados de surpresa, é vista como um movimento estratégico para evitar que o Palácio Iguaçu caia nas mãos do senador Sergio Moro, agora filiado ao PL e apoiado pela família Bolsonaro.
O recuo de Ratinho Júnior ocorre em um cenário de alta voltagem. Nos últimos dias, o Partido Liberal (PL) de Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro fechou um acordo para lançar Moro como candidato ao governo do Paraná. A articulação foi interpretada nos bastidores como uma “retaliação” ou “birra” do clã Bolsonaro após o governador paranaense resistir a abrir mão de sua candidatura presidencial ou de aceitar o posto de vice na chapa de Flávio.
O fator Moro e o isolamento político
A entrada de Moro no PL e sua pré-candidatura ao governo estadual criaram um efeito dominó. O governador, que antes planejava deixar o cargo em abril de 2026 para disputar o Planalto ou o Senado, percebeu o risco real de ver sua base fragmentada. Com Moro no páreo e o apoio do bolsonarismo radical, prefeitos e deputados da base de apoio de Ratinho poderiam migrar para o campo adversário em busca de palanque nacional.
De fato, a movimentação já causa fissuras: embora cerca de 45 prefeitos do PL no Paraná tenham anunciado uma “debandada” do partido em solidariedade a Ratinho Júnior, criticando a falta de “perfil municipalista” de Moro, a pressão do diretório nacional do PL e a força de Bolsonaro no estado são variáveis que o governador não pôde ignorar.
Influência familiar e o “ultimato” de Ratinho pai
Informações recentes apontam que a decisão final de Ratinho Júnior não foi apenas política, mas familiar. O apresentador Ratinho, pai do governador, teria dado um ultimato ao filho. A preocupação central do comunicador e empresário reside na exposição agressiva que uma campanha presidencial traria ao “império” de negócios da família Massa.
Além disso, o apresentador avaliou que uma disputa contra o bolsonarismo nacional poderia rotular o filho como um “divisor da direita”, prejudicando seu capital político a longo prazo em um estado conservador como o Paraná.
A nova missão: Fazer o sucessor
Agora, o foco total de Ratinho Júnior é o Palácio Iguaçu. Ao permanecer no cargo até o fim do mandato, em dezembro de 2026, ele mantém a caneta e a máquina pública para tentar viabilizar um nome de sua confiança. Entre os nomes cotados para a sucessão no PSD estão:
- Eduardo Pimentel: Prefeito de Curitiba, que ganha força como um perfil de continuidade.
- Guto Silva: Secretário das Cidades e nome próximo ao governador.
- Alexandre Curi: Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), conhecido por sua capilaridade junto aos prefeitos.
O cenário aponta para uma eleição polarizada no Paraná em 2026, onde o grupo de Ratinho Júnior terá que provar que seu modelo de gestão é mais forte que o “recall” da Lava Jato e a influência direta de Jair Bolsonaro personificada na candidatura de Sergio Moro.




Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.